Se você diz: "Meu filho só alegrias", então você não conhece seu filho. E da mesma forma que se você diz: "Meu filho é só tristeza", você também não conhece seu filho. O primeiro enconde suas tristezas, e o segundo as alegrias.
Começo essa reflexão com uma frase que direcionei a alguns casais. Não falo como pai, porque não o sou, mas como filho, e baseado em conversas com amigos na condição de filhos, amigos na condição de pais e adolescente que viam falar comigo sobre suas angústias. Essa frase sobre relacionamento entre pais e filhos descreve dois extremos: o filho perfeito; e o filho problemático. Ambos escondem problemas, os do segundo talvez sejam mais visíveis, mas igualmente graves.
Digo isso porque tive colegas de faculdade que eram alunos perfeitos, e filhos perfeitos, mas que em um determinado dia "jogaram tudo para o alto", assumindo um comportamento autodestrutivo e sem compromisso nenhum. Se antes não corriam com o carro, "viravam" a esquina em altas velocidades, a ponto do carro "empinar" um dos lados. Se não fumava e bebia, passavam a beber e fumar compulsivamente. Não tinham mais compromisso. Em síntese, usava uma máscara de perfeição. Uma máscara para não permitir que outros, principalmente os pais conhecessem suas fragilidades, seus problemas, e suportanto sozinho todos eles. Até que um dia, um "amigo", em uma "festa", ou simplesmente cansado de segurar a máscara, ele tira e não deseja segurar mais peso nenhum, não quer o peso da responsabilidade.
De alguma forma se sentiam pressionados a assumir o sucesso. A tristeza, o fracasso não podem ser visíveis. Não partilham com os pais suas angustias e tristezas. Por que? Simplesmente não confiam nos pais. Sim, não confiam! Acreditam que os pais não aceitarão suas fraquezas, uma vez que cada vez mais assumimos um modelo de sucesso baseado em carreira profissional e condições financeiras. Se sentem pressionados a serem modelos perfeitos para os pais apresentarem a sociedade. Não digo que os pais fazem isso conscientemente, mas muitas vezes inconscientemente. Pressionam porque é o modelo de sucesso atual. Não basta mais ser um homem de bem, uma mulher de bem. É preciso o sucesso!!!
Então, o filho na preocupação de ser um bom modelo, esconde suas fragilidades, até o dia que não aguenta mais. Caríssimos, volta e meia converso com pais de dependentes quimicos, e uma das primeiras frases de alguns deles é: "Nunca imaginei que meu filho fosse se envolver com isso. Ele sempre foi um bom garoto". Olha a falta de conhecimento. O filho tinha uma série de carências que não conseguia satisfazer com os pais, não tinha confiança. Doenças da alma, que os pais não conheciam ou não queriam conhecer.
Há tempos, vendo uma palestra de um padre, ele dizia que a relação entre pais e filhos consiste em construir pontes. Eu concordo com ele. E não somente uma, mas várias. Talvez, uma para cada dia da vida. Essas pontes devem possibilitar que os filhos sintam confiança em seus pais, de tal modo que possam pensar: "Se eu cair, meu pai vai me ajudar a levantar. Ele não vai me largar ou me enterrar". Enfim, não ter o medo de dizer: "Pai, não sou tão inteligente, ou não consigo me concentrar tanto para estudar, me ajude".
Muitas vezes os filhos estão gritando em sua alma por ajuda, mas não têm coragem.
Ser um homem ou mulher de bem exige conhecer suas fragilidades, e é preciso admití-las. Pais, peço como filho que sou, criem pontes com seus filhos, principalmente para que eles assumam suas fragilidades! Não queria os fazer fortes a base de "marretadas" ou simples discursos de sucesso, mas que a fragilidade faz parte da natureza humana. E que é possível vencer suas fragilidade sim, com a ajuda de vocês. Que esse sacrifício existe e que vale a pena. Mostrem que estarão ao lado deles quando for preciso.
Quanto aos filhos que só mostram suas fragilidades, pais ouçam seus filhos e reflitam. Não é preciso "passar a mão na cabeça deles". Mostrem que o crescimento é possível, que não estão sozinhos, mas que é preciso sacrifício de ambas as partes. Isso vai assegurar que seu filho está livre das drogas? Não, mas irá ajudar MUITO.
Que o refúgio de seus filhos sejam vocês, pais, e não as drogas e outras "companhias". Mostrem que o lugar seguro chama-se FAMÍLIA.
Abraço!!
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