Assisti
hoje ao novo filme dos X-men. Gostei muito, acredito ser o melhor da
franquia. Diferente dos filmes desenvolvidos pela Marvel, os filmes dos
X-Men tem uma boa carga dramática. Tem notas de filosofia na sua
construção, o que torna os filmes mais intensos e pesados. Um risco que
Brian Singer administra bem. O legal é que eles funcionam como equipe
de fato, e os dons de uns complementam os dos outros.
A interação entre os velhos Magneto e Xavier, embora em poucos
minutos, é um dos grandes pontos positivos do filme, agindo como aliados
e amigos. A química entre os personagens é simplesmente magnífica,
onde ambos lamentam algumas de suas decisões (O discurso de Luther King
"I have a dream" se encaixaria bem, e sem soar piegas). O futuro
apocalíptico.é bem inspirado em Exterminador do Futuro (sendo que essa
saga serviu de base para o James Cameron em sua magnífica franquia ), um
pesadelo inimaginável. O Wolverine continua a emprestar o seu carisma
costumeiro e como é bom ver o elenco original.
No entanto, o
centro do filme é a Mística, muito bem interpretada pela Jennifer
Lawrence. Sempre achei uma personagem fascinante, complexa. Embora
partilhe da mesma posição de Magneto, há sutis diferenças. As motivações
de ambos estão relacionadas ao medo, rejeições e a sobrevivência.
Entretanto, Magneto está disposto a declarar uma guerra e sacrificar
quem for por sua causa, enquanto a Mística está disposta a entrar em uma
guerra para proteger os da sua espécie. O mais interessante dessa nova
abordagem é que nos oferece a trajetória da sua queda, das suas
escolhas, notem quando ela observa os relatórios das experiências com
mutantes. Todo o arco, assim como nos quadrinhos, é consequência de uma
decisão dela.
Claro que Michael Farsbender, Ian McLeen, James
Mcvoiy e Patríc Stewart estão muito bem, mas Jennifer Lawrence é quem
domina o filme. Confesso que não gosto da romanização de cenas trágicas e
pesadas, mas neste filme foram muito bem elaboradas e desenvolvidas,
onde as cenas em câmera lenta e trilha ao fundo foram muito bem
montadas.
O último ato envolvendo Xavier e Mística é
maravilhoso, com a "confissão" de Xavier, praticamente pedindo perdão, e
a montagem perfeita de passado e futuro. Ela está decepcionada com
todos, tanto Xavier como Magneto. Acredito que os conflitos da Mística é
o ponto onde estou, onde a condolência plena no Xavier e o radicalismo
de Magneto devem encontrar o ponto de equilíbrio. Saí do cinema com uma
satisfação bastante rara
Hoje vivemos correndo: trabalho, casa, universidade, tantos compromissos. É preciso fazer PAUSAS PARA REFLEXÃO ou seremos engolidos pelo mundo. Sintam-se a vontade para comentar ou criticar, pois estarão a pausar para refletir e me farão pausar para refletir
"As reticências são os três primeiros passos do pensamento que continua por conta própria o seu caminho"- Mário Quintana
segunda-feira, 26 de maio de 2014
Robocop - 2014
Finalmente assisti ao eficiente filme RoboCop do José Padilha.
A releitura do filme original de 1987 (reparem que escrevi "releitura" e não "refilmagem") atualiza a sua crítica e "sátira" para a política externa norte-americana e o desenvolvimento e uso de drones pelas forças armadas e, no filme, como força policial. Esses dois aspectos são amplamente discutidos e elogiados em várias críticas sobre o filme. Entretanto, o aspecto que mais chama a atenção é o "sistema" também bem focado em Tropa de Elite 2.
É acertada a decisão de tornar o protagonista vivido pelo bom Joel Kinnaman consciente de sua condição desde o início, e mais ainda por torná-lo inconscientemente um "escravo do sistema", e aqui eu traço um paralelo com Tropa de Elite 2, onde como diz o Coronel Nascimento: "O sistema é fod.....". Não somente a programação implantada em seu consciente, mas também o sistema de criação, desenvolvimento, venda e descarte de um produto, e de manipulação da informação, onde o personagem de Michael Keaton até ensaia seus discursos sobre o falecimento do policial Alex Murphy. Aliás, é dele uma das frases mais geniais: "AS PESSOAS NÃO SABEM O QUE QUEREM ATÉ DIZERMOS O QUE QUEREM". A propósito, fazia tempo que não via uma boa atuação dele.
Embora o personagem do ótimo Gary Oldman seja a voz da consciência, do conflito ético e a voz mais humana, é a esposa do protagonista, bem interpretada por Abbie Cornish, é quem realmente traz essa carga emocional ao filme, acreditando que o marido "veste" uma armadura, e não que é uma armadura. A cena em que o protagonista pede para ver o que restou do homem não chega a ser chocante, mas Joel Kinnaman expressa bem a frustração do ser humano que percebe que praticamente tudo lhe foi tirado.
Além do sistema, outros elementos de Tropa de Elite também estão lá: Corrupção policial e a influência da mídia, bem caricaturada por Samuel L Jackson, e seu penteado James Brown. Quanto a este último, se ele retrata a figura daquele que fica nos holofotes fazendo o lobby e vendendo o produto para a opinião pública através de discursos inflamados e apelativos (não é acaso que o filme inicia e termina com seu personagem), Michael Keaton é quem atua nos bastidores cuidando da criação. Aliás, é bem funcional não explicitar que Samuel L Jackson é parte consciente do sistema, não o fazendo aparecer em reuniões ou telefonando para componentes da indústria. Voltando brevemente a Gary Oldman, é dele outra frase que se não fosse empregada pelo personagem correto e no momento correto, soaria piegas: É UM FALSO LIVRE ARBÍTRIO.
Juntar tantos elementos em um filme é bastante arriscado, um convite a uma obra mal feita, ainda mais sendo a refilmagem do que é considerado um cult. Um fator preocupante adicional poderia ser a falta de cenas chocantes ou violência, pelas quais o original ficou tão famoso. No entanto, José Padilha soube fazer um ótimo filme. Não com o mesmo impacto do original de 1987, mas um filme muito bem costurado e acabado. Enfim, recomendado.
A releitura do filme original de 1987 (reparem que escrevi "releitura" e não "refilmagem") atualiza a sua crítica e "sátira" para a política externa norte-americana e o desenvolvimento e uso de drones pelas forças armadas e, no filme, como força policial. Esses dois aspectos são amplamente discutidos e elogiados em várias críticas sobre o filme. Entretanto, o aspecto que mais chama a atenção é o "sistema" também bem focado em Tropa de Elite 2.
É acertada a decisão de tornar o protagonista vivido pelo bom Joel Kinnaman consciente de sua condição desde o início, e mais ainda por torná-lo inconscientemente um "escravo do sistema", e aqui eu traço um paralelo com Tropa de Elite 2, onde como diz o Coronel Nascimento: "O sistema é fod.....". Não somente a programação implantada em seu consciente, mas também o sistema de criação, desenvolvimento, venda e descarte de um produto, e de manipulação da informação, onde o personagem de Michael Keaton até ensaia seus discursos sobre o falecimento do policial Alex Murphy. Aliás, é dele uma das frases mais geniais: "AS PESSOAS NÃO SABEM O QUE QUEREM ATÉ DIZERMOS O QUE QUEREM". A propósito, fazia tempo que não via uma boa atuação dele.
Embora o personagem do ótimo Gary Oldman seja a voz da consciência, do conflito ético e a voz mais humana, é a esposa do protagonista, bem interpretada por Abbie Cornish, é quem realmente traz essa carga emocional ao filme, acreditando que o marido "veste" uma armadura, e não que é uma armadura. A cena em que o protagonista pede para ver o que restou do homem não chega a ser chocante, mas Joel Kinnaman expressa bem a frustração do ser humano que percebe que praticamente tudo lhe foi tirado.
Além do sistema, outros elementos de Tropa de Elite também estão lá: Corrupção policial e a influência da mídia, bem caricaturada por Samuel L Jackson, e seu penteado James Brown. Quanto a este último, se ele retrata a figura daquele que fica nos holofotes fazendo o lobby e vendendo o produto para a opinião pública através de discursos inflamados e apelativos (não é acaso que o filme inicia e termina com seu personagem), Michael Keaton é quem atua nos bastidores cuidando da criação. Aliás, é bem funcional não explicitar que Samuel L Jackson é parte consciente do sistema, não o fazendo aparecer em reuniões ou telefonando para componentes da indústria. Voltando brevemente a Gary Oldman, é dele outra frase que se não fosse empregada pelo personagem correto e no momento correto, soaria piegas: É UM FALSO LIVRE ARBÍTRIO.
Juntar tantos elementos em um filme é bastante arriscado, um convite a uma obra mal feita, ainda mais sendo a refilmagem do que é considerado um cult. Um fator preocupante adicional poderia ser a falta de cenas chocantes ou violência, pelas quais o original ficou tão famoso. No entanto, José Padilha soube fazer um ótimo filme. Não com o mesmo impacto do original de 1987, mas um filme muito bem costurado e acabado. Enfim, recomendado.
Assinar:
Comentários (Atom)