"As reticências são os três primeiros passos do pensamento que continua por conta própria o seu caminho"- Mário Quintana

terça-feira, 23 de junho de 2015

Colomé Estate Malbec 2012.

 Um vinho de coloração forte. A partir de uvas cultivadas em Salta, há mais de 2500 metros de altitude. Aroma e sabor forte, com taninos estruturados. Tem lembrança de coco, tabaco e couro. Excelente vinho.

Papale - Primitivo di Manduria, 2013.

 O vinho preferido de Joseph Ratzinger, o Papa Emérito Bento XVI. De aroma marcante e paladar leve de frutas maduras é bastante agradável. Muitos argumentam que a uva primitivo é a que se denomina Zinfandel na Califórnia. Ambas realmente tem características bem semelhantes quanto ao paladar. Saúde!!!!

terça-feira, 16 de junho de 2015

A inadequação à sensibilidade de um Gênio Indomável

Em uma renomada universidade norte-americana, há um jovem faxineiro, chamado Will Hunting (Matt Damon), com uma extensa lista de problemas de comportamento e, por conseguinte, com a justiça. Nesta mesma universidade, um professor de matemática, chamado Gerald Lambeau (Stellan Skarsgård), ganhador do prêmio Fields (o Oscar da matemática), publica em um mural um complexo problema matemático, e o prêmio para quem solucionar o problema é tornar o seu assistente. Ao ler o problema no mural, Will simplesmente começa a escrever no mural onde está o desafio proposto e, ao ser pego em flagrante pelo professor, ele foge. Imaginando que o faxineiro havia estragado a publicação, o professor corre desesperadamente para o mural para corrigir. No entanto, ao ler o que o faxineiro escrevera no quadro, ele percebeu com espanto que aquele havia solucionado o problema.
Ciente de que está diante de um raro prodígio, o professor consegue persuadir, através da extensa lista de problemas judiciais, o jovem faxineiro a ser seu assistente. Demonstrando uma arrogância desmedida, Will reluta em aceitar, mas diante de tantos problemas, ele aceita pelo simples fato de achar divertido estudar matemática. Então, descobrimos que Will é um gênio autodidata, e capaz de aprender qualquer coisa apenas estudando sozinho e analisando as pessoas. Uma pessoa que, por conta de sua habilidade ímpar, se considera autossuficiente. Vendo a dificuldade de Will com disciplina e direcionamento na própria vida, Gerald recorre ao antigo amigo Sean Maguire (Robbin Williams) que é psiquiatra para ajudá-lo a domar o nobre e selvagem corcel. Inicialmente, Will usa arrogantemente a sua genialidade e a sua capacidade de observar o comportamento e ambientes para tentar intimidar e irritar Sean.
O que parecia ser uma tática certeira mostra ser a brecha na armadura que Will parecia vestir. Sean mostra, ao dialogar com Will na cena do lago (considerado por muitos o melhor trecho do filme), que toda a arrogância e genialidade de Will não passam de uma proteção frágil contra as adversidades da vida humana. Mais ainda, que todo o conhecimento que ele adquiriu era superficial. Que todo o conhecimento que ele adquiriu em livros e observando os outros era uma visão incipiente do mundo, pois lhe faltava algo: a humanidade. A metáfora é que Will era como um poderoso computador e, como tal, lhe falta a sensibilidade para contemplar uma obra de arte, em apoiar um amigo diante de uma tribulação, ou simplesmente amar uma pessoa. Ou seja, faltava a ele características tipicamente humanas. Will tem a capacidade de conhecer em detalhes as obras e a vida de um grande mestre da arte como Michelangelo. Porém, tudo o que sabia era através de descrições de terceiros, e nunca havia mergulhado na alma de Michelangelo ao contemplar com sensibilidade uma de suas obras. A partir dessa cena, o filme dedica-se a mostrar o aprendizado de Will com seus amigos fracassados e até mesmo com seu affair. Ele é colocado ante os seus temores, a pensar sobre a maneira que tem vivido, e como tem utilizado todo o seu potencial.
Paralelamente, testemunhamos que Gerald procurava mais que um assistente, mas uma muleta, pois não conseguia mais andar sozinho. Ou seja, não era capaz de propor novos teoremas e resolver problemas matemáticos ainda sem solução. Gerald, refém do próprio status, carreira e conhecimento também não havia se preparado para o declínio de suas capacidades, algo também tipicamente humano. Talvez, se tivesse percebido antes, teria procurado e preparado Will para ser seu substituto. A sua inabilidade é escancarada na bela cena em que ele se desespera em colher as anotações de Will, que as queima, admitindo aos prantos que já não tem a mesma habilidade lógica e matemática de outrora. Will tem em Gerald um vislumbre de seu futuro medíocre, que só pode mudar diante de suas próprias escolhas, e daquilo que colocar como foco e direção de vida.
Mais que um espetáculo de um bom roteiro e boas interpretações (inclusive, o finado Robbin Wiliams ganhou o único Oscar de sua carreira pelo papel de Sean), Gênio Indomável relembra que o acesso a informação e a vontade do indivíduo são capazes de transpor barreiras. Que elas não estão enclausuradas em salas de aulas ou na cátedra universitária, mas estão abertas para aqueles que desejam as encontrar. No entanto, somente o acesso a informação não é suficiente para obter conhecimento, sendo preciso sensibilidade para degustar essas informações, e sair de sua zona de conforto para experimentar a própria vida. É preciso coragem e determinação para sofrer as consequências de estabelecer amizades e afetos, ou seja, é preciso muita coragem e determinação para viver, coragem essa que muitas vezes nos falta, inclusive a um Gênio Indomável (1997). O melhor filme até o momento de Matt Damon e Ben Affleck.

Texto originalmente escrito para: http://aves.org.br/revista-vitoria-mais/coluna/a-inadequacao-a-sensibilidade-de-um-genio-indomavel