Durante a semana, uma amiga tem conversado comigo sobre o delicado quadro de saúde de sua mãe, que já está com uma idade já avançada. Ela me falava da sua angústia e da sua mãe que está internada e do sofrimento de ambas, cujo motivo era o mesmo: "o sofrimento de uma era presenciar o sofrimento da outra". A mãe dela sofria mais por ser um peso para os filhos, enquanto minha amiga sofria por ver a fragilidade da mãe. A minha reflexão parte do sofrimento da mãe em ser um peso para os filhos quando chega à velhice. E aqui prefiro usar a palavra PESO mesmo, no sentido de algo que não é agradável, e fazer as pessoas a terem essa imagem para poderem medlhor compreender o a reflexão.
Há algum tempo já estou pensando sobre a relação entre pais e filhos, inclusive dediquei alguns posts sobre o tema. Sobre como os pais acabam por se tornarem pesos na vida dos filhos, quando envelhecem, ao ponto dos pais desejarem irem para asilos ou ainda abreviarem a sua vida. Sim, nós sabemos que quando os pais idosos adoecem e ficam acamados, eles passam a desejar a morte para não ser um peso para os filhos.
Usei a palavra peso porque não são raros os filhos que passam a ver os pais como peso. Não são a maioria, mas também não é uma parcela insignificante. Os governos vêem os idosos como pesos para a sociedade, basta analisarmos as políticas para tributárias que volta e meia desejam adotar, o atendimento aos idosos que dependem do SUS, o procedimento para aposentar, cuja idade mínima tem aumentado a cada gestão.
Concentrando na relação entre pais e filhos, e refletindo sobre a Divina Sabedoria.
Fiquei pensando sobre o "peso prazeroso" que todo filho é quando é um simples bebê, e totalmente dependente dos pais. Então, os pais mudam o ritmo de vida, hábitos, a velocidade de seu cotidiano para poder cuidar dos filhos. Sim, quando somos simples bebês somos um peso, mas que os pais carregam com GRANDE ALEGRIA, e a grande alegria dos bebês é estarem com os pais, com quais se sentem seguros
Me questiono que essa alegria não pode ser revivida, mas com os papéis invertidos, onde os filhos cuidam de seus pais, e os pais vejam em seus filhos seus protetores? Sim, acredito que, em sua grande Sabedoria, Deus tenha preparado o ciclo de vida de uma pessoa assim. Enquanto os pais cuidam dos filhos no início de vida destes, os filhos cuidam dos pais na velhice, e felizes são aqueles que percebem essa dádiva, e passam a vivê-la bem. Com toda a certeza teríamos mais alegria. É como se Deuis quisesse nos oferecer a oportunidade de retribuir quase da mesma maneira todo o cuidados que os pais tiveram conosco.
Mesmo que os pais vão perdendo a razão com a idade, oras bolas, quando bebês não tinhamos nenhuma razão também. Eles ficam frágeis na velhice, e requerem cuidados especiais, assim como cada um de nós quando crianças, e nem por isso fomos abandonados.
Bem, já que Deus me permitiu vislumbrar essa maravilha da relação de pais e filhos, não quero desperdiçá-la.
Reflita nisso quando seus pais envelhecerem e perderem a razão, e quando achar melhor entregá-los a "serviços profissionais". A relação entre pais e filhos precisa mesmo é de AMOR.
Abraço.
Hoje vivemos correndo: trabalho, casa, universidade, tantos compromissos. É preciso fazer PAUSAS PARA REFLEXÃO ou seremos engolidos pelo mundo. Sintam-se a vontade para comentar ou criticar, pois estarão a pausar para refletir e me farão pausar para refletir
"As reticências são os três primeiros passos do pensamento que continua por conta própria o seu caminho"- Mário Quintana
terça-feira, 26 de julho de 2011
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Para o Brasil tá bom demais
Para quem infelizmente não conhece, eis o brilhante discurso do Senador Cristovam Buarque, o qual me refiro no post anterior. É longo, mas vale cada letra e segundo gasto para lê-lo
Sr. Presidente, Srs. Senadores, tem circulado nesses últimos dias, pelo menos chegou para mim pela Internet, uma frase de apoiadores do Governo, dizendo que, para o Brasil, já está bom demais. A idéia é de que, para o Brasil, o Governo Lula já está bom demais.
Volto a insistir no que tenho dito aqui: se compararmos o Presidente Lula com os que vieram antes dele, não tenho a menor dúvida em dizer que, se não for o melhor, é um dos melhores. Porém, dizer que está bom para o Brasil é reconhecer que o País não merece, não tem condições de dar um salto muito maior. Essa é a tristeza que tenho, de todos os meus amigos, companheiros do que a gente chama de Esquerda, pelo acomodamento em que a gente caiu e que é uma tradição neste País: para o Brasil, está bom demais, desde quando a gente começou.
Quando a gente começou, diferentemente dos outros países da América Latina, fizemos a independência e colocamos como chefe de Estado o filho do rei do país de que a gente queria se libertar e assumimos um imperador. Para o Brasil, estava bom demais. Os outros países fizeram suas repúblicas, elegeram alguém local. A gente colocou o filho do rei, mas, para o Brasil, estava bom demais.
Passou o tempo, e a gente insistiu com a escravidão, até que um dia fez a Lei do Vente Livre, que permitia que o filho de uma escrava - que não tinha sido comprado, portanto - não se tornasse escravo se, até ele chegar aos 21 anos, nenhum parente da família fugisse. E só ficaria livre aos 20 anos. Mas, para o Brasil, estava bom demais. Os outros países todos já haviam abolido a escravidão, até a Rússia tinha abolido o sistema servil. Para o Brasil, o Vente Livre estava bom demais.
O tempo passou, e a gente fez a Lei dos Sexagenários - 60 anos, não dava mais para trabalhar no corte de cana-de-açúcar, na colheita de café. A gente disse: para o Brasil, está bom demais.
Fizemos a Abolição da Escravatura alguns anos depois, sem dar escola aos filhos, sem dar terra aos ex-escravos, mas, para o Brasil, estava bom demais. Para outro país não. Para outro país, sim, os escravos deveriam receber terras, a reforma agrária deveria ser feita, os filhos deles teriam escolas. Para o Brasil, não. Para o Brasil, estava bom demais.
A gente fez uma República. O próprio nome diz: a causa de todos, a causa pública. Mas fizemos uma República onde 65% da população era de analfabetos, e a gente fez uma bandeira escrevendo nela um texto. Portanto, 65% não eram capazes de reconhecê-la; uma bandeira que não era de todos. Mas, para o Brasil, estava bom demais, como diz esse slogan que está correndo a Internet nesses últimos dias, segundo eu soube, tendo origem em São Carlos, São Paulo. Estava bom demais uma bandeira apenas para 35% da população.
E a República continuou dividindo o Brasil entre uma elite privilegiada e uma massa excluída, mas, para o Brasil, estava bom demais.
Os outros países tomaram suas medidas para integrar a população em um só povo. O Brasil continua sendo uma República com dois povos, até porque a gente chama um de povo e o outro de povão. É um dos raros idiomas em que há duas palavras para dizer a palavra povo. A Índia, com suas castas, tem diversas palavras, mas eles não dizem "povo", dizem "castas" diferentes. Nós, a aristocracia, branca, e os escravos. Quando veio a República, não dava mais para colocar dessa forma, inventaram a expressão povão. Mas, para o Brasil, está bom demais.
E a gente achou que não dava para continuar para sempre com uma sociedade rural, uma sociedade apenas exportadora e fez uma industrialização 40 anos depois da República. Quarenta anos depois! Mas, para o Brasil, estava bom demais 40 anos de uma sociedade apenas rural, exportadora, baseada em latifúndios.
Então, fizemos a industrialização, uma industrialização que não dividiu o produto, que, ao contrário, precisou concentrar a renda para criar demanda para os automóveis e os produtos de luxo que produzíamos. Se houvesse uma boa distribuição de renda, não teríamos conseguido vender os produtos que a nossa indústria produzia. Mas, para o Brasil, estava bom demais, porque já era o desenvolvimento econômico. Em alguns momentos, passamos a ser a oitava potência do mundo na economia e uma das últimas em condições sociais. Mas, para o Brasil, estava bom demais.
Aí somos um País riquíssimo, mas com a maior concentração de renda do planeta. Para o Brasil, está bom demais. Vem um programa que consegue distribuir um pouquinho dessa renda: distribui R$60,00 por mês; faz com que alguns saiam de renda zero para alguma renda, passem a comer. E ninguém pode dizer que isso é um salto. Mas, só no Brasil, é que a gente diz que isso está bom. Nenhum outro lugar se satisfaria com uma realidade em que sair da pobreza é passar de uma renda zero para R$60,00 por mês, ou de uma renda de R$60,00 para R$120,00 por mês. Em nenhum lugar se diz que isso é sair da pobreza, Senador Pedro Simon, porque sair da pobreza é dar escola com qualidade para seus filhos; sair da pobreza é ter um sistema de assistência; é ter onde morar, ter água, ter saneamento, não é ter renda. Renda faz você ser rico, não faz você ser pobre. Para que a renda lhe permita sair da pobreza, você tem de ganhar na loteria e ficar rico. O que tira da pobreza é o acesso aos bens reais, aos bens e serviços, Senador Pedro Simon. Mas, para o Brasil, está bom demais!
Dizemos que aqui a educação foi ruim. Aí se comemora que hoje 97% das crianças estão matriculadas. Veja bem! Só no Brasil é que dizemos que está bom demais. Dizer que 97% das crianças estão matriculadas significa dizer que 3% delas não estão. Mas no Brasil está bom demais! Ter 3% que não entram na escola está bom demais para o Brasil!
Agora, não se analisa que, desses 97%, a imensa maioria vai à escola só para comer, Senador Mozarildo, vai lá pela merenda, não vai pela escola. A escola é um restaurante mirim popular. Ficam apenas duas horas na escola. Mas, para o Brasil, está bom demais! A gente já tem 97% das crianças matriculadas e com merenda. Para o Brasil, está bom demais!
Aqueles que ficam um pouco mais escola, além da merenda, não freqüentam todos os dias, e quando freqüentam todos os dias, não freqüentam todos os meses. Quando chega o final do ano, os poucos que chegam não aprenderam a ler, mesmo na quarta série primária. Mas, para o Brasil, está bom demais! Chegaram à quarta série primária e não sabem ler, mas já chegaram ali. Para o Brasil, está bom demais!
É isto que está nos destruindo: essa sensação de que, para o Brasil, está bom demais, que não temos o direito de sonhar além disso. Para o Brasil, está bom demais ter 97% das crianças matriculadas, mesmo que não freqüentando e, freqüentando, não assistindo às aulas e, assistindo, não estudando e, estudando, não aprendendo. Mas, para o Brasil, ter 97% das crianças matriculadas está bom demais! É isto que está nos destruindo, a falta de querer ir além daquilo que consideramos estar bom demais.
E a democracia? A democracia está boa demais! Uma democracia em que esta Casa funciona na base de medidas provisórias vindas do Governo e de medidas liminares vindas da Justiça, sem nenhum poder. Não vamos nos enganar. Não estamos ficando apenas inoperantes, estamos ficando irrelevantes no processo democrático brasileiro. Mas está bom demais! E nós nos reunimos dois dias por semana. Para o Brasil, está bom demais! Pelo menos o Congresso não está fechado, como ficou durante alguns anos em mais de um período da República.
Essa sensação de que, para o Brasil, está bom demais é que está nos destruindo. Por exemplo, na questão ecológica. Claro que estamos desmatando menos hoje do que antes. Mas será que dá para a gente dizer que está bom demais desmatar só uma Bélgica em vez de duas Bélgicas a cada tanto tempo? Será que a gente não é capaz de ter a ambição de parar isso de uma maneira mais radical, mais forte, mais firme? Não! Para o Brasil, está bom demais! Conseguimos reduzir a taxa como o desmate era dado. E é verdade. Mas não está bom demais. Vamos pedir desculpas porque ainda estamos desmatando. Vamos pedir desculpas porque ainda estamos desmatando?! A gente não pede desculpas, porque, no Brasil, está bom demais. A gente pede desculpas quando não estamos satisfeitos com aquilo que acontece. Agora, mesmo por aquele mal que a gente tolera porque, para o Brasil, está bom demais a gente não pede desculpas, a gente comemora. Dia após dia, ano após ano, a gente comemora, neste País, avanços insignificantes, deixando o Brasil para trás em relação aos outros países. Mas, para o Brasil, está bom demais!
Avançamos um pouquinho. Claro que nossa taxa de analfabetismo caiu, ao longo desses 120 anos da República, de 65% para 13%, mas o número de analfabetos mais que dobrou nesse período. Naquela época, 65% eram seis milhões; hoje, os 13% são 14 ou 15 milhões. Mas, para o Brasil, está bom demais, porque diminuiu a taxa, mesmo que tenha aumentado o número absoluto.
Essa sensação, Senador Pedro Simon, de que está bom demais para o Brasil, de que aqui não é possível fazer mais, é que, a meu ver, está destruindo algo fundamental que a gente sempre teve para que o sonho se mantivesse: um grupo de pessoas com vigor transformador, de partidos organizados, insatisfeitos com a realidade, que não aceitavam a idéia de que, para o Brasil, está bom demais. Morreram esses. Sumiram do mapa político brasileiro, sumiram do mapa ideológico brasileiro os que não aceitam que, para o Brasil, está bom demais.
Esta é a grande tragédia.
A grande tragédia é achar que, para o Brasil, a Esquerda que temos aí já está boa demais. Senador Mão Santa, para mim, esta é a maior das tragédias! Para o Brasil, a Esquerda que está aí já está boa demais. Isso significa que não há mais sonho transformador, não há mais propostas de mudanças, não há mais vigor daqueles que dizem "para o Brasil, não está bom ainda", mesmo reconhecendo avanços que tenhamos tido. Perdemos essa capacidade.
Até na corrupção... A gente diz "para o Brasil, está bom demais, porque agora já se cassaram alguns, agora já se põem nos jornais as corrupções". No entanto, nenhum foi punido, nenhum foi preso...
Eu fico preocupado quando vejo um slogan como esse atraindo pessoas que considero próximas pela história comum que tivemos de luta neste País pelas mudanças sociais. Hoje, elas distribuem contentes dizendo: "Para o Brasil, está bom demais o que o Governo Lula tem feito em cinco anos". Eu acho até que está bom demais comparando-se com outros Governos, sobretudo pela generosidade social, que é algo positivo. Mas é claro que não está bom demais quando a gente compara com o possível sonho que pudéssemos ter. Agora, o que esperar de diferente em um país que tem como slogan "deitado em berço esplêndido"? Ou seja, no Brasil, deitado é bom demais.
Para o Brasil ser deitado em berço esplêndido é bom demais. Não precisa querer ir além e despertar esta Nação para que a gente tenha um mundo novo onde os brasileiros vivam como um povo integrado, e não dividido, como é hoje, como uma Nação avançada e não atrasada, como ela é hoje. Isso é um sonho que parece estar desaparecendo, porque os que queriam se acostumaram e acreditam hoje que, para o Brasil, o que está aí já é bom demais.
Sei que poderia dizer que o tempo é bom demais para nós terminarmos, mas o Senador Pedro Simon levantou o microfone e creio que não é bom demais a gente concluir sem ouvi-lo.
O Sr. Pedro Simon (PMDB - RS) - Estou cometendo uma ousadia, porque o discurso de V. Exª é tão perfeito. É um discurso carta-poesia, uma poesia amarga, mas verdadeira. V. Exª tem razão. Acho que até hoje não houve nenhuma solenidade esportiva do mundo que contou com a presença do Presidente da República e de dez governadores, como aconteceu na Suíça, para trazer a copa para o Brasil. Agora, com tantos anos de antecedência já estamos vivendo o clima da copa. E a imprensa está publicando em manchetes e mais manchetes o quanto será gasto para atualização dos estádios. Aqui, por exemplo, o nosso Governador já disse que irá fazer o Mané Garrincha ficar melhor que o Maracanã. O Inter e o Grêmio, no Rio Grande do Sul, estão fazendo uma guerra porque o Inter foi escolhido e o Grêmio ainda não foi.
Mas o Presidente do Grêmio disse que até 2014...
O SR. CRISTOVAM BUARQUE (PDT - DF) - Muito obrigado, Senador.
Quando falo em sonho, sempre defendo que a gente pode fazer uma revolução neste País. Para isso, precisamos botar juntos líderes de diversos partidos e pensarmos a longo prazo. Todo mundo diz que é um sonho louco.
Gente, na semana passada, o Presidente Lula colocou no avião governadores de diversos partidos, inimigos dele, e foram para Genebra, acertarem um projeto que atravessa os Governos deles todos! Todo mundo acha natural que a gente se junte, que diversos partidos se juntem para atravessar os governos e um projeto para realizar a Copa. Mas é absurdo, é sonho utópico, juntar Governadores de diversos Partidos com o Presidente da República para discutir o futuro de nossas crianças.
Em sete anos, Senador Sibá, a gente teria uma geração inteira adotada em todo o Ensino Fundamental praticamente. A Senadora Heloísa Helena sempre disse aqui que o que a gente precisa é adotar uma geração. O que o Governo do Presidente Lula fez - eu comemoro e sou a favor de trazer a Copa - foi um projeto de sete anos. Se a gente adotasse as crianças brasileiras que estão entrando agora no Ensino Fundamental por sete anos, a gente as teria concluindo praticamente o Ensino Fundamental. Bastaria, em vez de sete, oito anos. Por que é que a gente consegue fazer para a Copa e não consegue fazer para a escola? Porque não quis. Porque não quis. Porque não considera prioridade. E porque não dá os mesmos votos que trazer a Copa para aqui. E talvez não dê a mesma alegria, porque a escola no Brasil não é um instrumento de alegria.
O SR. PRESIDENTE (Jayme Campos. DEM - MT) - Professor e Senador Cristovam, mais dois minutos para concluir. Ainda há oradores inscritos.
O SR. CRISTOVAM BUARQUE (PDT - DF) - Concluo. Se o senhor me permitir, darei o aparte, claro, ao Senador Sibá. Até já havia concluído. Mas o que falou o Senador Pedro Simon chamou minha atenção para este fato: trata-se de sonhos perfeitamente possíveis em outros países. Nada que eu falo é irreal. Jamais vim aqui dizer que o Brasil devia mandar um homem à lua - não tem como. Jamais vim aqui dizer que a gente vai ter US$20 mil em renda per capita ao ano. Agora, gente, ter toda criança numa escola em horário integral, dando um prazo de 15 anos, como eu digo, não tem nada de irreal, nada de utópico no sentido de impossível. Mas, lamentavelmente, num País onde, do jeito que está, para o Brasil, está bom demais, as pessoas acham utópico, impossível qualquer coisa a mais.
Só para concluir, antes de passar para o Senador Siba, em qualquer pesquisa entre os pais dos filhos da escola pública, eles dizem que a escola está ótima, porque para eles, de fato, está bom demais, primeiro, porque eles não tiveram a escola; segundo, porque lá eles têm onde deixar as crianças; terceiro, elas comem. E, no Brasil, a escola onde se coloca a criança como depósito e se dá alimento para elas isso é considerado bom demais para o Brasil.
Senador Sibá.
O Sr. Sibá Machado (Bloco/PT - AC) - Senador Cristovam, V. Exª é mais do que um Senador, é um excelente quadro da educação brasileira, um pensador, sempre me chama à reflexão no momento em que vem à tribuna do Senado. Gostei muito do mote de hoje: como podemos estar conformados se há ainda tantas pessoas com extremas necessidades? Também acho que está na hora de o Brasil pensar um pouco além das eleições. Como V. Exª, também tenho esta convicção e um pouco desta indignação. Considero muito pequeno fazermos um esforço sobre-humano para se fazer uma aliança que se encerra num período eleitoral. Temos de pensar na grandeza do País sobre aquilo que, de fato, é a continuidade, a razão da nossa existência como pessoas públicas. Esse deve ser sempre o motivo das nossas preocupações. Portanto, a provocação de hoje à tarde foi muito interessante. Acho que V. Exª ainda tem muito a contribuir com o nosso debate nesta Casa, e penso em que ambiente poderíamos criar para que V. Exª possa sempre nos fazer refletir a partir desses propósitos. Fico cada vez mais convencido da necessidade de vozes como a de V. Exª serem colocadas no centro dos debates daqueles que se propõem a dirigir o País. É claro que uma viagem como essa para tratar da Copa do Mundo é um tema que apetece a muitas pessoas, mas devem apetecer também outros temas que V. Exª nos traz à reflexão. E ainda poderemos, quem sabe, ver esse dia chegar, porque a esperança, acima de tudo, deve prevalecer. Então, quero parabenizá-lo por mais esse pronunciamento e me colocar sempre à disposição, como um ouvinte assíduo, digamos, um aprendiz dos ensinamos de V. Exª. Parabéns.
O SR. CRISTOVAM BUARQUE (PDT - DF) - Muito obrigado, Senador Sibá, pelo exagero dos comentários. Fico feliz em ouvir.
Sr. Presidente, agradeço pelo tempo, que, não para o Brasil, mas para um Senador, foi um tempo bom demais.
Sr. Presidente, Srs. Senadores, tem circulado nesses últimos dias, pelo menos chegou para mim pela Internet, uma frase de apoiadores do Governo, dizendo que, para o Brasil, já está bom demais. A idéia é de que, para o Brasil, o Governo Lula já está bom demais.
Volto a insistir no que tenho dito aqui: se compararmos o Presidente Lula com os que vieram antes dele, não tenho a menor dúvida em dizer que, se não for o melhor, é um dos melhores. Porém, dizer que está bom para o Brasil é reconhecer que o País não merece, não tem condições de dar um salto muito maior. Essa é a tristeza que tenho, de todos os meus amigos, companheiros do que a gente chama de Esquerda, pelo acomodamento em que a gente caiu e que é uma tradição neste País: para o Brasil, está bom demais, desde quando a gente começou.
Quando a gente começou, diferentemente dos outros países da América Latina, fizemos a independência e colocamos como chefe de Estado o filho do rei do país de que a gente queria se libertar e assumimos um imperador. Para o Brasil, estava bom demais. Os outros países fizeram suas repúblicas, elegeram alguém local. A gente colocou o filho do rei, mas, para o Brasil, estava bom demais.
Passou o tempo, e a gente insistiu com a escravidão, até que um dia fez a Lei do Vente Livre, que permitia que o filho de uma escrava - que não tinha sido comprado, portanto - não se tornasse escravo se, até ele chegar aos 21 anos, nenhum parente da família fugisse. E só ficaria livre aos 20 anos. Mas, para o Brasil, estava bom demais. Os outros países todos já haviam abolido a escravidão, até a Rússia tinha abolido o sistema servil. Para o Brasil, o Vente Livre estava bom demais.
O tempo passou, e a gente fez a Lei dos Sexagenários - 60 anos, não dava mais para trabalhar no corte de cana-de-açúcar, na colheita de café. A gente disse: para o Brasil, está bom demais.
Fizemos a Abolição da Escravatura alguns anos depois, sem dar escola aos filhos, sem dar terra aos ex-escravos, mas, para o Brasil, estava bom demais. Para outro país não. Para outro país, sim, os escravos deveriam receber terras, a reforma agrária deveria ser feita, os filhos deles teriam escolas. Para o Brasil, não. Para o Brasil, estava bom demais.
A gente fez uma República. O próprio nome diz: a causa de todos, a causa pública. Mas fizemos uma República onde 65% da população era de analfabetos, e a gente fez uma bandeira escrevendo nela um texto. Portanto, 65% não eram capazes de reconhecê-la; uma bandeira que não era de todos. Mas, para o Brasil, estava bom demais, como diz esse slogan que está correndo a Internet nesses últimos dias, segundo eu soube, tendo origem em São Carlos, São Paulo. Estava bom demais uma bandeira apenas para 35% da população.
E a República continuou dividindo o Brasil entre uma elite privilegiada e uma massa excluída, mas, para o Brasil, estava bom demais.
Os outros países tomaram suas medidas para integrar a população em um só povo. O Brasil continua sendo uma República com dois povos, até porque a gente chama um de povo e o outro de povão. É um dos raros idiomas em que há duas palavras para dizer a palavra povo. A Índia, com suas castas, tem diversas palavras, mas eles não dizem "povo", dizem "castas" diferentes. Nós, a aristocracia, branca, e os escravos. Quando veio a República, não dava mais para colocar dessa forma, inventaram a expressão povão. Mas, para o Brasil, está bom demais.
E a gente achou que não dava para continuar para sempre com uma sociedade rural, uma sociedade apenas exportadora e fez uma industrialização 40 anos depois da República. Quarenta anos depois! Mas, para o Brasil, estava bom demais 40 anos de uma sociedade apenas rural, exportadora, baseada em latifúndios.
Então, fizemos a industrialização, uma industrialização que não dividiu o produto, que, ao contrário, precisou concentrar a renda para criar demanda para os automóveis e os produtos de luxo que produzíamos. Se houvesse uma boa distribuição de renda, não teríamos conseguido vender os produtos que a nossa indústria produzia. Mas, para o Brasil, estava bom demais, porque já era o desenvolvimento econômico. Em alguns momentos, passamos a ser a oitava potência do mundo na economia e uma das últimas em condições sociais. Mas, para o Brasil, estava bom demais.
Aí somos um País riquíssimo, mas com a maior concentração de renda do planeta. Para o Brasil, está bom demais. Vem um programa que consegue distribuir um pouquinho dessa renda: distribui R$60,00 por mês; faz com que alguns saiam de renda zero para alguma renda, passem a comer. E ninguém pode dizer que isso é um salto. Mas, só no Brasil, é que a gente diz que isso está bom. Nenhum outro lugar se satisfaria com uma realidade em que sair da pobreza é passar de uma renda zero para R$60,00 por mês, ou de uma renda de R$60,00 para R$120,00 por mês. Em nenhum lugar se diz que isso é sair da pobreza, Senador Pedro Simon, porque sair da pobreza é dar escola com qualidade para seus filhos; sair da pobreza é ter um sistema de assistência; é ter onde morar, ter água, ter saneamento, não é ter renda. Renda faz você ser rico, não faz você ser pobre. Para que a renda lhe permita sair da pobreza, você tem de ganhar na loteria e ficar rico. O que tira da pobreza é o acesso aos bens reais, aos bens e serviços, Senador Pedro Simon. Mas, para o Brasil, está bom demais!
Dizemos que aqui a educação foi ruim. Aí se comemora que hoje 97% das crianças estão matriculadas. Veja bem! Só no Brasil é que dizemos que está bom demais. Dizer que 97% das crianças estão matriculadas significa dizer que 3% delas não estão. Mas no Brasil está bom demais! Ter 3% que não entram na escola está bom demais para o Brasil!
Agora, não se analisa que, desses 97%, a imensa maioria vai à escola só para comer, Senador Mozarildo, vai lá pela merenda, não vai pela escola. A escola é um restaurante mirim popular. Ficam apenas duas horas na escola. Mas, para o Brasil, está bom demais! A gente já tem 97% das crianças matriculadas e com merenda. Para o Brasil, está bom demais!
Aqueles que ficam um pouco mais escola, além da merenda, não freqüentam todos os dias, e quando freqüentam todos os dias, não freqüentam todos os meses. Quando chega o final do ano, os poucos que chegam não aprenderam a ler, mesmo na quarta série primária. Mas, para o Brasil, está bom demais! Chegaram à quarta série primária e não sabem ler, mas já chegaram ali. Para o Brasil, está bom demais!
É isto que está nos destruindo: essa sensação de que, para o Brasil, está bom demais, que não temos o direito de sonhar além disso. Para o Brasil, está bom demais ter 97% das crianças matriculadas, mesmo que não freqüentando e, freqüentando, não assistindo às aulas e, assistindo, não estudando e, estudando, não aprendendo. Mas, para o Brasil, ter 97% das crianças matriculadas está bom demais! É isto que está nos destruindo, a falta de querer ir além daquilo que consideramos estar bom demais.
E a democracia? A democracia está boa demais! Uma democracia em que esta Casa funciona na base de medidas provisórias vindas do Governo e de medidas liminares vindas da Justiça, sem nenhum poder. Não vamos nos enganar. Não estamos ficando apenas inoperantes, estamos ficando irrelevantes no processo democrático brasileiro. Mas está bom demais! E nós nos reunimos dois dias por semana. Para o Brasil, está bom demais! Pelo menos o Congresso não está fechado, como ficou durante alguns anos em mais de um período da República.
Essa sensação de que, para o Brasil, está bom demais é que está nos destruindo. Por exemplo, na questão ecológica. Claro que estamos desmatando menos hoje do que antes. Mas será que dá para a gente dizer que está bom demais desmatar só uma Bélgica em vez de duas Bélgicas a cada tanto tempo? Será que a gente não é capaz de ter a ambição de parar isso de uma maneira mais radical, mais forte, mais firme? Não! Para o Brasil, está bom demais! Conseguimos reduzir a taxa como o desmate era dado. E é verdade. Mas não está bom demais. Vamos pedir desculpas porque ainda estamos desmatando. Vamos pedir desculpas porque ainda estamos desmatando?! A gente não pede desculpas, porque, no Brasil, está bom demais. A gente pede desculpas quando não estamos satisfeitos com aquilo que acontece. Agora, mesmo por aquele mal que a gente tolera porque, para o Brasil, está bom demais a gente não pede desculpas, a gente comemora. Dia após dia, ano após ano, a gente comemora, neste País, avanços insignificantes, deixando o Brasil para trás em relação aos outros países. Mas, para o Brasil, está bom demais!
Avançamos um pouquinho. Claro que nossa taxa de analfabetismo caiu, ao longo desses 120 anos da República, de 65% para 13%, mas o número de analfabetos mais que dobrou nesse período. Naquela época, 65% eram seis milhões; hoje, os 13% são 14 ou 15 milhões. Mas, para o Brasil, está bom demais, porque diminuiu a taxa, mesmo que tenha aumentado o número absoluto.
Essa sensação, Senador Pedro Simon, de que está bom demais para o Brasil, de que aqui não é possível fazer mais, é que, a meu ver, está destruindo algo fundamental que a gente sempre teve para que o sonho se mantivesse: um grupo de pessoas com vigor transformador, de partidos organizados, insatisfeitos com a realidade, que não aceitavam a idéia de que, para o Brasil, está bom demais. Morreram esses. Sumiram do mapa político brasileiro, sumiram do mapa ideológico brasileiro os que não aceitam que, para o Brasil, está bom demais.
Esta é a grande tragédia.
A grande tragédia é achar que, para o Brasil, a Esquerda que temos aí já está boa demais. Senador Mão Santa, para mim, esta é a maior das tragédias! Para o Brasil, a Esquerda que está aí já está boa demais. Isso significa que não há mais sonho transformador, não há mais propostas de mudanças, não há mais vigor daqueles que dizem "para o Brasil, não está bom ainda", mesmo reconhecendo avanços que tenhamos tido. Perdemos essa capacidade.
Até na corrupção... A gente diz "para o Brasil, está bom demais, porque agora já se cassaram alguns, agora já se põem nos jornais as corrupções". No entanto, nenhum foi punido, nenhum foi preso...
(Interrupção do som.)
O SR. CRISTOVAM BUARQUE (PDT - DF) - ... mas, para o Brasil, está bom demais, porque, pelo menos agora, os jornais publicam os nomes dos contraventores. Eu fico preocupado quando vejo um slogan como esse atraindo pessoas que considero próximas pela história comum que tivemos de luta neste País pelas mudanças sociais. Hoje, elas distribuem contentes dizendo: "Para o Brasil, está bom demais o que o Governo Lula tem feito em cinco anos". Eu acho até que está bom demais comparando-se com outros Governos, sobretudo pela generosidade social, que é algo positivo. Mas é claro que não está bom demais quando a gente compara com o possível sonho que pudéssemos ter. Agora, o que esperar de diferente em um país que tem como slogan "deitado em berço esplêndido"? Ou seja, no Brasil, deitado é bom demais.
Para o Brasil ser deitado em berço esplêndido é bom demais. Não precisa querer ir além e despertar esta Nação para que a gente tenha um mundo novo onde os brasileiros vivam como um povo integrado, e não dividido, como é hoje, como uma Nação avançada e não atrasada, como ela é hoje. Isso é um sonho que parece estar desaparecendo, porque os que queriam se acostumaram e acreditam hoje que, para o Brasil, o que está aí já é bom demais.
Sei que poderia dizer que o tempo é bom demais para nós terminarmos, mas o Senador Pedro Simon levantou o microfone e creio que não é bom demais a gente concluir sem ouvi-lo.
O Sr. Pedro Simon (PMDB - RS) - Estou cometendo uma ousadia, porque o discurso de V. Exª é tão perfeito. É um discurso carta-poesia, uma poesia amarga, mas verdadeira. V. Exª tem razão. Acho que até hoje não houve nenhuma solenidade esportiva do mundo que contou com a presença do Presidente da República e de dez governadores, como aconteceu na Suíça, para trazer a copa para o Brasil. Agora, com tantos anos de antecedência já estamos vivendo o clima da copa. E a imprensa está publicando em manchetes e mais manchetes o quanto será gasto para atualização dos estádios. Aqui, por exemplo, o nosso Governador já disse que irá fazer o Mané Garrincha ficar melhor que o Maracanã. O Inter e o Grêmio, no Rio Grande do Sul, estão fazendo uma guerra porque o Inter foi escolhido e o Grêmio ainda não foi.
Mas o Presidente do Grêmio disse que até 2014...
(Interrupção do som.)
O Sr. Pedro Simon (PMDB - RS) - ...como o Rio Grande do Sul, vai ser nos dois estádios de futebol. Lamentavelmente, não temos sensibilidade. Dizia-me o Mão Santa que saiu o resultado de uma pesquisa nos jornais de ontem em que perguntaram se os brasileiros sabiam onde estava localizado o Brasil. Uma imensa maioria não sabia dizer onde estava o Brasil. Eu dizia para o Mão Santa que me lembro de quando se fazia isso nos Estados Unidos. Há 20 anos, na universidade, fizeram uma pesquisa, com o mapa da Europa, e perguntavam aos estudantes - havia de um lado, um número, e, do outro, o nome do país - onde eles botariam a Rússia e outros. A média era dois países por universitário americano: era a Inglaterra e, me parece, a Rússia. Então, o que a gente sente no pronunciamento amargo de V. Exª é que V. Exª está absolutamente certo quando pergunta onde estão os homens de bem - que são muitos, eu diria até para V. Exª que são a maioria. A nossa questão é que, para botar a mão, há uma uniformidade, a gente sabe como se faz. Para evitar que se bote a mão, a gente tem de ter o entendimento de caminhar do mesmo lado. Então, admiro muito V. Exª. V. Exª pode ser considerado até um utópico. Mas se não temos nossas utopias, como vamos viver? Já me disseram isto: "Quando o Senador Cristovam fala, ele parece estar sonhando, está imaginando como deve ser". E eu respondi: "Mas se nem sonharmos, o que vamos fazer?" A distância entre um líder e um zé-ninguém é que o líder tem condições de transformar grandes percentuais dos seus sonhos em realidade. V. Exª está nos levando a sonhar. Está nos levando a pensar, a ver a possibilidade do que o Brasil deve ser. Que bom! Se o que V. Exª está fazendo agora, plantando, através da TV e da Radio Senado, plantando para o nosso povo ouvir, entender, compreender, que bom que um grupo de pessoas entenda o que V. Exª está dizendo, entenda principalmente quando V. Exª diz: "E os homens de bem, onde estão? O que eles fazem?" Isso é para todo mundo. Homem de bem não é o Senador, não é o que é importante, não é o que tem dinheiro. O homem de bem é o que está ali nos assistindo, é o que está aposentado, que não tem o que fazer e está ouvindo o seu pronunciamento e entende que todo mundo pode fazer alguma coisa. No momento em que cada um de nós tiver uma direção e fizer alguma coisa, esse é o momento em que, para o Brasil, não vai estar bom demais enquanto não fizermos as mudanças. Eu me emociono com o pronunciamento de V. Exª, principalmente porque estou saindo. Só nesta Casa são 25 anos. Emociona-me ver V. Exª com fé, com tranqüilidade, com serenidade, numa hora em que estamos vendo o Senado pressionado, faz, nesta segunda-feira, um discurso com tanta beleza, emoção e profundidade É uma alegria tê-lo como irmão nesta Casa. Muito obrigado. O SR. CRISTOVAM BUARQUE (PDT - DF) - Muito obrigado, Senador.
Quando falo em sonho, sempre defendo que a gente pode fazer uma revolução neste País. Para isso, precisamos botar juntos líderes de diversos partidos e pensarmos a longo prazo. Todo mundo diz que é um sonho louco.
Gente, na semana passada, o Presidente Lula colocou no avião governadores de diversos partidos, inimigos dele, e foram para Genebra, acertarem um projeto que atravessa os Governos deles todos! Todo mundo acha natural que a gente se junte, que diversos partidos se juntem para atravessar os governos e um projeto para realizar a Copa. Mas é absurdo, é sonho utópico, juntar Governadores de diversos Partidos com o Presidente da República para discutir o futuro de nossas crianças.
Em sete anos, Senador Sibá, a gente teria uma geração inteira adotada em todo o Ensino Fundamental praticamente. A Senadora Heloísa Helena sempre disse aqui que o que a gente precisa é adotar uma geração. O que o Governo do Presidente Lula fez - eu comemoro e sou a favor de trazer a Copa - foi um projeto de sete anos. Se a gente adotasse as crianças brasileiras que estão entrando agora no Ensino Fundamental por sete anos, a gente as teria concluindo praticamente o Ensino Fundamental. Bastaria, em vez de sete, oito anos. Por que é que a gente consegue fazer para a Copa e não consegue fazer para a escola? Porque não quis. Porque não quis. Porque não considera prioridade. E porque não dá os mesmos votos que trazer a Copa para aqui. E talvez não dê a mesma alegria, porque a escola no Brasil não é um instrumento de alegria.
O SR. PRESIDENTE (Jayme Campos. DEM - MT) - Professor e Senador Cristovam, mais dois minutos para concluir. Ainda há oradores inscritos.
O SR. CRISTOVAM BUARQUE (PDT - DF) - Concluo. Se o senhor me permitir, darei o aparte, claro, ao Senador Sibá. Até já havia concluído. Mas o que falou o Senador Pedro Simon chamou minha atenção para este fato: trata-se de sonhos perfeitamente possíveis em outros países. Nada que eu falo é irreal. Jamais vim aqui dizer que o Brasil devia mandar um homem à lua - não tem como. Jamais vim aqui dizer que a gente vai ter US$20 mil em renda per capita ao ano. Agora, gente, ter toda criança numa escola em horário integral, dando um prazo de 15 anos, como eu digo, não tem nada de irreal, nada de utópico no sentido de impossível. Mas, lamentavelmente, num País onde, do jeito que está, para o Brasil, está bom demais, as pessoas acham utópico, impossível qualquer coisa a mais.
Só para concluir, antes de passar para o Senador Siba, em qualquer pesquisa entre os pais dos filhos da escola pública, eles dizem que a escola está ótima, porque para eles, de fato, está bom demais, primeiro, porque eles não tiveram a escola; segundo, porque lá eles têm onde deixar as crianças; terceiro, elas comem. E, no Brasil, a escola onde se coloca a criança como depósito e se dá alimento para elas isso é considerado bom demais para o Brasil.
Senador Sibá.
O Sr. Sibá Machado (Bloco/PT - AC) - Senador Cristovam, V. Exª é mais do que um Senador, é um excelente quadro da educação brasileira, um pensador, sempre me chama à reflexão no momento em que vem à tribuna do Senado. Gostei muito do mote de hoje: como podemos estar conformados se há ainda tantas pessoas com extremas necessidades? Também acho que está na hora de o Brasil pensar um pouco além das eleições. Como V. Exª, também tenho esta convicção e um pouco desta indignação. Considero muito pequeno fazermos um esforço sobre-humano para se fazer uma aliança que se encerra num período eleitoral. Temos de pensar na grandeza do País sobre aquilo que, de fato, é a continuidade, a razão da nossa existência como pessoas públicas. Esse deve ser sempre o motivo das nossas preocupações. Portanto, a provocação de hoje à tarde foi muito interessante. Acho que V. Exª ainda tem muito a contribuir com o nosso debate nesta Casa, e penso em que ambiente poderíamos criar para que V. Exª possa sempre nos fazer refletir a partir desses propósitos. Fico cada vez mais convencido da necessidade de vozes como a de V. Exª serem colocadas no centro dos debates daqueles que se propõem a dirigir o País. É claro que uma viagem como essa para tratar da Copa do Mundo é um tema que apetece a muitas pessoas, mas devem apetecer também outros temas que V. Exª nos traz à reflexão. E ainda poderemos, quem sabe, ver esse dia chegar, porque a esperança, acima de tudo, deve prevalecer. Então, quero parabenizá-lo por mais esse pronunciamento e me colocar sempre à disposição, como um ouvinte assíduo, digamos, um aprendiz dos ensinamos de V. Exª. Parabéns.
O SR. CRISTOVAM BUARQUE (PDT - DF) - Muito obrigado, Senador Sibá, pelo exagero dos comentários. Fico feliz em ouvir.
Sr. Presidente, agradeço pelo tempo, que, não para o Brasil, mas para um Senador, foi um tempo bom demais.
domingo, 17 de julho de 2011
Qual a relação entre o primeiro brasileiro a ir ao espaço e a EDUCAÇÃO no Brasil?
Há alguns anos, foi enviando um brasileiro a Estação Espacial Internacional (ISS - International Spatial Station), mas qual o avanço tecnológico real para o Brasil. Por não cumprir com as metas de colaboração com o desenvolvimento da ISS, o Brasil foi sumariamente excluído do grupo de países colaboradores. Em palavras mais simples, foi apenas um movimento de marketing. Algo semelhante acontece com a educação no Brasil. Uma grande golpe publicitário, cuja vítima é o próprio povo brasileiro.
Desde que conheci a atuação do Senador Cristoam Buarque, passei a dedicar sempre um tempo para refletir suas opiniões, e seus textos. Tive grandes esperanças de uma educação mais forte quando ele foi nomeado Ministro da Educação do Brasil no começo do Governo Lula, e um grande desapontamento quando foi retirado do cargo, por não concordar com o caminho que estava sendo tomado. Esse caminho também não me agradou e não me agrada até hoje. Temos sim um investimento na educação, mas no ensino superior, e MUITO mal feito na minha opinião. Neste ponto dedico uma frase para lembrar que o descaso com a educação não vem somente dos mandatos do partido do atual governo, mas vem de muito antes. Entretanto, me refiro aos do atual simplesmente porque é o que vivemos e temos as recordações mais recenres.
Com todo o respeito, o REUNI é uma verdadeira chantagem do governo para com as universidades como forma de aumentar a taxa de formação dos cursos de nível superior. Alguns argumentam que combate o "terrorismo" feito pelos professores. Como aluno de graduação, mestrado e doutorado, e por um breve tempo como professor substituto em uma universidade pública federal, eu concordo que realmente há alguns professores que praticam o assédio moral, termo mais correto para o "terrorismo".
Entretanto, exigir a taxa de aprovação para determinadas disciplinas, por exemplo, dos cursos de engenharia, com o modelo de educação adotado no ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO, é uma verdadeira COVARDIA. A verdade é que a rede pública de ensino FUNDAMENTAL e MÉDIA não prepara os adolescentes e jovens para aprender na universidade. Disciplinas como, por exemplo, "Eletromagnetismo" e "Sinais e Sistemas" são fundamentais para aquele que tem como meta ser engenheiro eletricista, e exigem um conhecimento matemático bastante pesado e uma capacidade de raciocínio bastante apurada. As áreas matemáticas abordadas nessas disciplinas não são contempladas nem de longe pela rede pública de ensino FUNDAMENTAL e MÉDIA. Dessa maneira, os cursos que não se curvam a essa chantagem não recebem verba, e começam a ver sua estrutura já bastante debilitada ser sucateada.
Dessa maneira, vislumbro um estado ainda mais tenebroso que o atual para a educação brasileira e, consequentemente, para a nação brasileira. Por adotar uma solução tão preguiçosa, temos tido de importar cada vez mais profissionais de fora do país. É nítido que há um movimento para maquiar a péssima educação no Brasil, apoiando-se em discursos com frases de efeito como, por exemplo, "nunca na história desse país" ou "para o Brasil está bom demais" (essa ultima refiro-me ao brilhante discurso do Senador Cristovam Buarque) tentam passar a imagem de um país em franco avanço na educação e desenvolvimento de ciência e tecnologia. Sim apenas uma imagem que não condiz com a realidade, como no caso do primeiro brasileiro enviado ao espaço. Aliás, alguém se lembra do NOME dele? Lembram que o Brasil, como mencionei no início, foi EXPULSO do grupo de países colaboradores da ISS por não cumprir com o desenvolvimento tecnológico prometido?
Abraço!!!
Desde que conheci a atuação do Senador Cristoam Buarque, passei a dedicar sempre um tempo para refletir suas opiniões, e seus textos. Tive grandes esperanças de uma educação mais forte quando ele foi nomeado Ministro da Educação do Brasil no começo do Governo Lula, e um grande desapontamento quando foi retirado do cargo, por não concordar com o caminho que estava sendo tomado. Esse caminho também não me agradou e não me agrada até hoje. Temos sim um investimento na educação, mas no ensino superior, e MUITO mal feito na minha opinião. Neste ponto dedico uma frase para lembrar que o descaso com a educação não vem somente dos mandatos do partido do atual governo, mas vem de muito antes. Entretanto, me refiro aos do atual simplesmente porque é o que vivemos e temos as recordações mais recenres.
Com todo o respeito, o REUNI é uma verdadeira chantagem do governo para com as universidades como forma de aumentar a taxa de formação dos cursos de nível superior. Alguns argumentam que combate o "terrorismo" feito pelos professores. Como aluno de graduação, mestrado e doutorado, e por um breve tempo como professor substituto em uma universidade pública federal, eu concordo que realmente há alguns professores que praticam o assédio moral, termo mais correto para o "terrorismo".
Entretanto, exigir a taxa de aprovação para determinadas disciplinas, por exemplo, dos cursos de engenharia, com o modelo de educação adotado no ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO, é uma verdadeira COVARDIA. A verdade é que a rede pública de ensino FUNDAMENTAL e MÉDIA não prepara os adolescentes e jovens para aprender na universidade. Disciplinas como, por exemplo, "Eletromagnetismo" e "Sinais e Sistemas" são fundamentais para aquele que tem como meta ser engenheiro eletricista, e exigem um conhecimento matemático bastante pesado e uma capacidade de raciocínio bastante apurada. As áreas matemáticas abordadas nessas disciplinas não são contempladas nem de longe pela rede pública de ensino FUNDAMENTAL e MÉDIA. Dessa maneira, os cursos que não se curvam a essa chantagem não recebem verba, e começam a ver sua estrutura já bastante debilitada ser sucateada.
Dessa maneira, vislumbro um estado ainda mais tenebroso que o atual para a educação brasileira e, consequentemente, para a nação brasileira. Por adotar uma solução tão preguiçosa, temos tido de importar cada vez mais profissionais de fora do país. É nítido que há um movimento para maquiar a péssima educação no Brasil, apoiando-se em discursos com frases de efeito como, por exemplo, "nunca na história desse país" ou "para o Brasil está bom demais" (essa ultima refiro-me ao brilhante discurso do Senador Cristovam Buarque) tentam passar a imagem de um país em franco avanço na educação e desenvolvimento de ciência e tecnologia. Sim apenas uma imagem que não condiz com a realidade, como no caso do primeiro brasileiro enviado ao espaço. Aliás, alguém se lembra do NOME dele? Lembram que o Brasil, como mencionei no início, foi EXPULSO do grupo de países colaboradores da ISS por não cumprir com o desenvolvimento tecnológico prometido?
Abraço!!!
domingo, 3 de julho de 2011
Você conhece seu filho?
Se você diz: "Meu filho só alegrias", então você não conhece seu filho. E da mesma forma que se você diz: "Meu filho é só tristeza", você também não conhece seu filho. O primeiro enconde suas tristezas, e o segundo as alegrias.
Começo essa reflexão com uma frase que direcionei a alguns casais. Não falo como pai, porque não o sou, mas como filho, e baseado em conversas com amigos na condição de filhos, amigos na condição de pais e adolescente que viam falar comigo sobre suas angústias. Essa frase sobre relacionamento entre pais e filhos descreve dois extremos: o filho perfeito; e o filho problemático. Ambos escondem problemas, os do segundo talvez sejam mais visíveis, mas igualmente graves.
Digo isso porque tive colegas de faculdade que eram alunos perfeitos, e filhos perfeitos, mas que em um determinado dia "jogaram tudo para o alto", assumindo um comportamento autodestrutivo e sem compromisso nenhum. Se antes não corriam com o carro, "viravam" a esquina em altas velocidades, a ponto do carro "empinar" um dos lados. Se não fumava e bebia, passavam a beber e fumar compulsivamente. Não tinham mais compromisso. Em síntese, usava uma máscara de perfeição. Uma máscara para não permitir que outros, principalmente os pais conhecessem suas fragilidades, seus problemas, e suportanto sozinho todos eles. Até que um dia, um "amigo", em uma "festa", ou simplesmente cansado de segurar a máscara, ele tira e não deseja segurar mais peso nenhum, não quer o peso da responsabilidade.
De alguma forma se sentiam pressionados a assumir o sucesso. A tristeza, o fracasso não podem ser visíveis. Não partilham com os pais suas angustias e tristezas. Por que? Simplesmente não confiam nos pais. Sim, não confiam! Acreditam que os pais não aceitarão suas fraquezas, uma vez que cada vez mais assumimos um modelo de sucesso baseado em carreira profissional e condições financeiras. Se sentem pressionados a serem modelos perfeitos para os pais apresentarem a sociedade. Não digo que os pais fazem isso conscientemente, mas muitas vezes inconscientemente. Pressionam porque é o modelo de sucesso atual. Não basta mais ser um homem de bem, uma mulher de bem. É preciso o sucesso!!!
Então, o filho na preocupação de ser um bom modelo, esconde suas fragilidades, até o dia que não aguenta mais. Caríssimos, volta e meia converso com pais de dependentes quimicos, e uma das primeiras frases de alguns deles é: "Nunca imaginei que meu filho fosse se envolver com isso. Ele sempre foi um bom garoto". Olha a falta de conhecimento. O filho tinha uma série de carências que não conseguia satisfazer com os pais, não tinha confiança. Doenças da alma, que os pais não conheciam ou não queriam conhecer.
Há tempos, vendo uma palestra de um padre, ele dizia que a relação entre pais e filhos consiste em construir pontes. Eu concordo com ele. E não somente uma, mas várias. Talvez, uma para cada dia da vida. Essas pontes devem possibilitar que os filhos sintam confiança em seus pais, de tal modo que possam pensar: "Se eu cair, meu pai vai me ajudar a levantar. Ele não vai me largar ou me enterrar". Enfim, não ter o medo de dizer: "Pai, não sou tão inteligente, ou não consigo me concentrar tanto para estudar, me ajude".
Muitas vezes os filhos estão gritando em sua alma por ajuda, mas não têm coragem.
Ser um homem ou mulher de bem exige conhecer suas fragilidades, e é preciso admití-las. Pais, peço como filho que sou, criem pontes com seus filhos, principalmente para que eles assumam suas fragilidades! Não queria os fazer fortes a base de "marretadas" ou simples discursos de sucesso, mas que a fragilidade faz parte da natureza humana. E que é possível vencer suas fragilidade sim, com a ajuda de vocês. Que esse sacrifício existe e que vale a pena. Mostrem que estarão ao lado deles quando for preciso.
Quanto aos filhos que só mostram suas fragilidades, pais ouçam seus filhos e reflitam. Não é preciso "passar a mão na cabeça deles". Mostrem que o crescimento é possível, que não estão sozinhos, mas que é preciso sacrifício de ambas as partes. Isso vai assegurar que seu filho está livre das drogas? Não, mas irá ajudar MUITO.
Que o refúgio de seus filhos sejam vocês, pais, e não as drogas e outras "companhias". Mostrem que o lugar seguro chama-se FAMÍLIA.
Abraço!!
Começo essa reflexão com uma frase que direcionei a alguns casais. Não falo como pai, porque não o sou, mas como filho, e baseado em conversas com amigos na condição de filhos, amigos na condição de pais e adolescente que viam falar comigo sobre suas angústias. Essa frase sobre relacionamento entre pais e filhos descreve dois extremos: o filho perfeito; e o filho problemático. Ambos escondem problemas, os do segundo talvez sejam mais visíveis, mas igualmente graves.
Digo isso porque tive colegas de faculdade que eram alunos perfeitos, e filhos perfeitos, mas que em um determinado dia "jogaram tudo para o alto", assumindo um comportamento autodestrutivo e sem compromisso nenhum. Se antes não corriam com o carro, "viravam" a esquina em altas velocidades, a ponto do carro "empinar" um dos lados. Se não fumava e bebia, passavam a beber e fumar compulsivamente. Não tinham mais compromisso. Em síntese, usava uma máscara de perfeição. Uma máscara para não permitir que outros, principalmente os pais conhecessem suas fragilidades, seus problemas, e suportanto sozinho todos eles. Até que um dia, um "amigo", em uma "festa", ou simplesmente cansado de segurar a máscara, ele tira e não deseja segurar mais peso nenhum, não quer o peso da responsabilidade.
De alguma forma se sentiam pressionados a assumir o sucesso. A tristeza, o fracasso não podem ser visíveis. Não partilham com os pais suas angustias e tristezas. Por que? Simplesmente não confiam nos pais. Sim, não confiam! Acreditam que os pais não aceitarão suas fraquezas, uma vez que cada vez mais assumimos um modelo de sucesso baseado em carreira profissional e condições financeiras. Se sentem pressionados a serem modelos perfeitos para os pais apresentarem a sociedade. Não digo que os pais fazem isso conscientemente, mas muitas vezes inconscientemente. Pressionam porque é o modelo de sucesso atual. Não basta mais ser um homem de bem, uma mulher de bem. É preciso o sucesso!!!
Então, o filho na preocupação de ser um bom modelo, esconde suas fragilidades, até o dia que não aguenta mais. Caríssimos, volta e meia converso com pais de dependentes quimicos, e uma das primeiras frases de alguns deles é: "Nunca imaginei que meu filho fosse se envolver com isso. Ele sempre foi um bom garoto". Olha a falta de conhecimento. O filho tinha uma série de carências que não conseguia satisfazer com os pais, não tinha confiança. Doenças da alma, que os pais não conheciam ou não queriam conhecer.
Há tempos, vendo uma palestra de um padre, ele dizia que a relação entre pais e filhos consiste em construir pontes. Eu concordo com ele. E não somente uma, mas várias. Talvez, uma para cada dia da vida. Essas pontes devem possibilitar que os filhos sintam confiança em seus pais, de tal modo que possam pensar: "Se eu cair, meu pai vai me ajudar a levantar. Ele não vai me largar ou me enterrar". Enfim, não ter o medo de dizer: "Pai, não sou tão inteligente, ou não consigo me concentrar tanto para estudar, me ajude".
Muitas vezes os filhos estão gritando em sua alma por ajuda, mas não têm coragem.
Ser um homem ou mulher de bem exige conhecer suas fragilidades, e é preciso admití-las. Pais, peço como filho que sou, criem pontes com seus filhos, principalmente para que eles assumam suas fragilidades! Não queria os fazer fortes a base de "marretadas" ou simples discursos de sucesso, mas que a fragilidade faz parte da natureza humana. E que é possível vencer suas fragilidade sim, com a ajuda de vocês. Que esse sacrifício existe e que vale a pena. Mostrem que estarão ao lado deles quando for preciso.
Quanto aos filhos que só mostram suas fragilidades, pais ouçam seus filhos e reflitam. Não é preciso "passar a mão na cabeça deles". Mostrem que o crescimento é possível, que não estão sozinhos, mas que é preciso sacrifício de ambas as partes. Isso vai assegurar que seu filho está livre das drogas? Não, mas irá ajudar MUITO.
Que o refúgio de seus filhos sejam vocês, pais, e não as drogas e outras "companhias". Mostrem que o lugar seguro chama-se FAMÍLIA.
Abraço!!
sábado, 2 de julho de 2011
Amor: Sentimento ou ação?
Escrever as reflexões que há tempos faço como um exercício diário para não me deixar ser engolido pelo mundo tem o benefício de registrarmos os pensamentos e podermos lembrar depois o que sentimos na ocasião. Começo esse post com essa afirmação pessoal porque esta reflexão refere-se a um acontecimento que em outubro fará três anos, o caso Eloá Cristina. Somente recordando brevemente o acontecido:
"Lindemberg Fernandes Alves, então com 22 anos, invadiu o domicílio de sua ex-namorada, Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos, no bairro de Jardim Santo André, em Santo André (Grande São Paulo), onde ela e colegas realizavam trabalhos escolares. Inicialmente dois reféns foram liberados, restando no interior do apartamento, em poder do sequestrador, Eloá e sua amiga Nayara Silva. Após mais de 100 horas de cárcere privado, policiais do GATE e da Tropa de Choque da Polícia Militar de São Paulo explodiram a porta - alegando, posteriormente, ter ouvido um disparo de arma de fogo no interior do apartamento - e entraram em luta corporal com Lindemberg, que teve tempo de atirar em direção às reféns. A adolescente Nayara deixou o apartamento andando, ferida com um tiro no rosto, enquanto Eloá, carregada em uma maca, foi levada inconsciente para o Centro Hospitalar de Santo André. O sequestrador, sem ferimentos, foi levado para a delegacia e, depois, para a cadeia pública da cidade. Posteriormente foi encaminhado ao Centro de Detenção Provisória de Pinheiros, na cidade de São Paulo. Eloá Pimentel, baleada na cabeça e na virilha, não resistiu e veio a falecer por morte cerebral."
Como nos demais casos a opinião pública pedia maior rigor na punição do agressor. Era o que se escutava em cada grupo de pessoas conversando, independente do lugar: bares, restaurantes, trabalho, escolas, igrejas, etc. Novamente, alguns pediam a pena de morte.
A minha reflexão na época, que registro hoje, envolve também o rapaz, sem esquecer a vítima, partia da seguinte pergunta: O que levou o rapaz a agir dessa maneira? Simplesmente ele tem um perfil violento? Acredito sim que no desequilíbrio do rapaz, sem tirar um único grama de sua responsabilidade. Mas, é uma resposta suficiente para o que aconteceu? Pode satisfazer a alguns ou muitos, mas não é suficiente.
Na minha tentativa leiga de buscar uma resposta melhor (lembrando sou da área de telecomunicações, não sociólogo, filósofo, psicólogo ou antropólogo) e conversando com alguns amigos, inclusive um padre, vislumbre uma relação entre essa tragédia e o título do post.
Na reflexão anterior abordei muito brevemente o título do post, sobre conceito distorcido de Amor, e aqui peço licença para colocar em letra maiúscula.Imagino que na mente perturbada do rapaz, ele amava a vítima, assim como ela amou o agressor em algum momento. Em um conto de fadas, o principe e a princesa, talvez. Imaginavam algo como felizes para sempre. Podemos entender o que o rapaz entendia por amor, pelas consequencias. Nitidamente, ele tinha um sentimento de posse pela vítima em sua mente:"EU NÃO POSSO VIVER SEM ELA. NÃO SEREI FELIZ. EU POSSO FAZÊ-LA FELIZ. A FELICIDADE DELA ESTÁ COMIGO". Olha o egoísmo, que foi uma das bases do post anterior, aqui novamente. Em algum lugar, de alguma maneira, ele aprendeu que amor é sentimento possessivo. De certa forma, remetendo aos contos de fadas novamente, ele se via como o príncipe encantado que ia salvar a princesa presa na torre, e vigiada pelo dragão. Dragão aqui era os pais, amigos que não viam essa relação como saudável e se posicionaram contra. Devia pensar: "Vou mostrar como eu a amo, vou mostrar até onde estou disposto a ir por causa dela". Cá entre nós, somos bombardeados todos os dias por modelos assim. Há anos não assisto a novelas, por falta de tempo, mas principalmente escolha. Pois me lembro que muitos desses modelos de amor como sentimento possessivo são apresentados nessas novelas da seguinte forma: "É ERRADO, MAS É POR AMOR". Então trai-se porque está apaixonado(a) pela(o) amante, mente-se, destroi-se casamentos, famílias, relacionamentos por amor. O amor é apresentado como um sentimento possessivo, ou de prazer somente, e até confunde-se amor com paixão. Deixo claro que não repudio a paixão, desde que seja equilibrada. Em verdade, acredito que bons relacionamentos podem começar com a paixão, mas deve-se transformar em amor. E me recordo de uma vez a namorada de um dependente químico me confidenciava que o rapaz vivia chantageando: "Se você me largar, eu me afundo de vez, pois perco o chão". Um rapaz que também acha que amor é sentimento possessivo, mantendo ela por perto, e perto do seu vício. Não recomendei que larguasse o namorado, mas, disse para ter cuidado. Afinal, o amor estragado do rapaz poderia atingí-la.
E qual o conceito mais adequado de Amor?
Concordo eu, com Jesus Cristo, Amor é ação. Ação de desejar e trabalhar pela felicidade da pessoa que se ama. Mesmo que essa felicidade seja longe, mesmo que seja não estar ao lado. Amar é sacrificar-se pela pessoa amada. Lembro dos sacrifícios que meu pai fez por amor a família, levantando de madrugada (inclusive indo debaixo de chuvas torrenciais), suportando colegas que riam de sua dedicação a família, e até não comendo de forma inadequada. Ele nunca foi bom com as palavras, mas, ele sempre agiu como quem Ama. Para os não cristãos, Buda também já dizia que Amor é sacrifício. Olhemos para as mães que se sacrificam tanto pelos filhos, tudo por Amor. É claro que volta e meia há aquelas também que acham Amor como sentimento possessivo.
Acho interessante que em algum momento Jesus Cristo diz: "Amais uns aos outros como a ti mesmo", ou seja, Ele não recomenda que Amemos uma pessoa mais que a nós mesmos, mas na mesma medida. É como se Ele dissesse:"Não faça o mal que não desejaria que lhe fizessem. Faria esse sacrifício por si mesmo? Ou não?" Creio eu, que desde aquela época Ele já dizia que amor é ação de bem, não sentimento possessivo. Pessoas que conseguiram influenciar o mundo positivamente trabalharam pelo bem de outros ou de todos. Essas pessoas Amaram de fato. Amar é agir para a felicidade, para o melhor. Caso contrário não é Amor.
Vamos refletir sobre o que ensinamos as pessoas sobre o que é o amor? O que temos ensinado sobre isso às nossas crianças e jovens? Afinal, há anos as pessoas falam com facilidade "eu te amo",(faço questão de deixar em minúsculo), mas, sem amar. Talvez por carência afetiva dos pais, encontram no sentimento de namorados e namoradas, aquela atenção que não teve, o bom relacionamento que não teve. Vejo hoje, jovens mulheres dizendo tão facilmente "eu te amo, é o homem da minha vida" para um rapaz que acabou de conhecer. Apaixonadas, carentes afetivas, mas acham que é amor. Já percebi que filhos que se relacionam bem com seus pais e mães, não caem nessas armadilhas. Pessoas que, de alguma maneira, conhecem Amor como ação que exige, inclusive sacrifício, não se entregam a depressão, a maus momentos, às tristezas. Enfim são pessoas que não caem com facilidade. Estão sendo bem preparadas para os desafios da vida.
Não é momento da sociedade rever o seu conceito de amor? De substituir "sentimento possessivo" para "ação pelo bem"?
Abraço!! E bom domingo!
"Lindemberg Fernandes Alves, então com 22 anos, invadiu o domicílio de sua ex-namorada, Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos, no bairro de Jardim Santo André, em Santo André (Grande São Paulo), onde ela e colegas realizavam trabalhos escolares. Inicialmente dois reféns foram liberados, restando no interior do apartamento, em poder do sequestrador, Eloá e sua amiga Nayara Silva. Após mais de 100 horas de cárcere privado, policiais do GATE e da Tropa de Choque da Polícia Militar de São Paulo explodiram a porta - alegando, posteriormente, ter ouvido um disparo de arma de fogo no interior do apartamento - e entraram em luta corporal com Lindemberg, que teve tempo de atirar em direção às reféns. A adolescente Nayara deixou o apartamento andando, ferida com um tiro no rosto, enquanto Eloá, carregada em uma maca, foi levada inconsciente para o Centro Hospitalar de Santo André. O sequestrador, sem ferimentos, foi levado para a delegacia e, depois, para a cadeia pública da cidade. Posteriormente foi encaminhado ao Centro de Detenção Provisória de Pinheiros, na cidade de São Paulo. Eloá Pimentel, baleada na cabeça e na virilha, não resistiu e veio a falecer por morte cerebral."
Como nos demais casos a opinião pública pedia maior rigor na punição do agressor. Era o que se escutava em cada grupo de pessoas conversando, independente do lugar: bares, restaurantes, trabalho, escolas, igrejas, etc. Novamente, alguns pediam a pena de morte.
A minha reflexão na época, que registro hoje, envolve também o rapaz, sem esquecer a vítima, partia da seguinte pergunta: O que levou o rapaz a agir dessa maneira? Simplesmente ele tem um perfil violento? Acredito sim que no desequilíbrio do rapaz, sem tirar um único grama de sua responsabilidade. Mas, é uma resposta suficiente para o que aconteceu? Pode satisfazer a alguns ou muitos, mas não é suficiente.
Na minha tentativa leiga de buscar uma resposta melhor (lembrando sou da área de telecomunicações, não sociólogo, filósofo, psicólogo ou antropólogo) e conversando com alguns amigos, inclusive um padre, vislumbre uma relação entre essa tragédia e o título do post.
Na reflexão anterior abordei muito brevemente o título do post, sobre conceito distorcido de Amor, e aqui peço licença para colocar em letra maiúscula.Imagino que na mente perturbada do rapaz, ele amava a vítima, assim como ela amou o agressor em algum momento. Em um conto de fadas, o principe e a princesa, talvez. Imaginavam algo como felizes para sempre. Podemos entender o que o rapaz entendia por amor, pelas consequencias. Nitidamente, ele tinha um sentimento de posse pela vítima em sua mente:"EU NÃO POSSO VIVER SEM ELA. NÃO SEREI FELIZ. EU POSSO FAZÊ-LA FELIZ. A FELICIDADE DELA ESTÁ COMIGO". Olha o egoísmo, que foi uma das bases do post anterior, aqui novamente. Em algum lugar, de alguma maneira, ele aprendeu que amor é sentimento possessivo. De certa forma, remetendo aos contos de fadas novamente, ele se via como o príncipe encantado que ia salvar a princesa presa na torre, e vigiada pelo dragão. Dragão aqui era os pais, amigos que não viam essa relação como saudável e se posicionaram contra. Devia pensar: "Vou mostrar como eu a amo, vou mostrar até onde estou disposto a ir por causa dela". Cá entre nós, somos bombardeados todos os dias por modelos assim. Há anos não assisto a novelas, por falta de tempo, mas principalmente escolha. Pois me lembro que muitos desses modelos de amor como sentimento possessivo são apresentados nessas novelas da seguinte forma: "É ERRADO, MAS É POR AMOR". Então trai-se porque está apaixonado(a) pela(o) amante, mente-se, destroi-se casamentos, famílias, relacionamentos por amor. O amor é apresentado como um sentimento possessivo, ou de prazer somente, e até confunde-se amor com paixão. Deixo claro que não repudio a paixão, desde que seja equilibrada. Em verdade, acredito que bons relacionamentos podem começar com a paixão, mas deve-se transformar em amor. E me recordo de uma vez a namorada de um dependente químico me confidenciava que o rapaz vivia chantageando: "Se você me largar, eu me afundo de vez, pois perco o chão". Um rapaz que também acha que amor é sentimento possessivo, mantendo ela por perto, e perto do seu vício. Não recomendei que larguasse o namorado, mas, disse para ter cuidado. Afinal, o amor estragado do rapaz poderia atingí-la.
E qual o conceito mais adequado de Amor?
Concordo eu, com Jesus Cristo, Amor é ação. Ação de desejar e trabalhar pela felicidade da pessoa que se ama. Mesmo que essa felicidade seja longe, mesmo que seja não estar ao lado. Amar é sacrificar-se pela pessoa amada. Lembro dos sacrifícios que meu pai fez por amor a família, levantando de madrugada (inclusive indo debaixo de chuvas torrenciais), suportando colegas que riam de sua dedicação a família, e até não comendo de forma inadequada. Ele nunca foi bom com as palavras, mas, ele sempre agiu como quem Ama. Para os não cristãos, Buda também já dizia que Amor é sacrifício. Olhemos para as mães que se sacrificam tanto pelos filhos, tudo por Amor. É claro que volta e meia há aquelas também que acham Amor como sentimento possessivo.
Acho interessante que em algum momento Jesus Cristo diz: "Amais uns aos outros como a ti mesmo", ou seja, Ele não recomenda que Amemos uma pessoa mais que a nós mesmos, mas na mesma medida. É como se Ele dissesse:"Não faça o mal que não desejaria que lhe fizessem. Faria esse sacrifício por si mesmo? Ou não?" Creio eu, que desde aquela época Ele já dizia que amor é ação de bem, não sentimento possessivo. Pessoas que conseguiram influenciar o mundo positivamente trabalharam pelo bem de outros ou de todos. Essas pessoas Amaram de fato. Amar é agir para a felicidade, para o melhor. Caso contrário não é Amor.
Vamos refletir sobre o que ensinamos as pessoas sobre o que é o amor? O que temos ensinado sobre isso às nossas crianças e jovens? Afinal, há anos as pessoas falam com facilidade "eu te amo",(faço questão de deixar em minúsculo), mas, sem amar. Talvez por carência afetiva dos pais, encontram no sentimento de namorados e namoradas, aquela atenção que não teve, o bom relacionamento que não teve. Vejo hoje, jovens mulheres dizendo tão facilmente "eu te amo, é o homem da minha vida" para um rapaz que acabou de conhecer. Apaixonadas, carentes afetivas, mas acham que é amor. Já percebi que filhos que se relacionam bem com seus pais e mães, não caem nessas armadilhas. Pessoas que, de alguma maneira, conhecem Amor como ação que exige, inclusive sacrifício, não se entregam a depressão, a maus momentos, às tristezas. Enfim são pessoas que não caem com facilidade. Estão sendo bem preparadas para os desafios da vida.
Não é momento da sociedade rever o seu conceito de amor? De substituir "sentimento possessivo" para "ação pelo bem"?
Abraço!! E bom domingo!
Relativismo = egoismo?
Ainda na conversa com o Augusto, chegamos a discutir sobre como os valores são relativizados, ou seja, os valores são moldados sempre que favorece a vontade do indivíduo. Citei o caso do troco retornado a mais, quando o pai, acompanhado de seu filho, percebe que o caixa do mercado lhe entregou dinheiro a mais e nada diz, pois acaba de ganhar dinheiro fácil. Muitas vezes pensa que o mercado já lucra bastante com vendas, e que não fará falta, e pensar não estar fazendo mal algum. Não considera que ao final do expediente, o caixa será cobrado pelo gerente, o dinheiro que falta, isto se o caixa não for demitido. Oras, mesmo que não fizesse mal mesmo, é desonesto e ao devolver o dinheiro a mais poderia testemunhar um caso de honestidade ao filho. Possivelmente, esse pai fala muito de honestidade, critica muito os corruptos, mas deu um testemunho de corrupção ao filho. Um conceito relativizado de honestidade, pois ela só é válida quando favorece a vontade da pessoa. Quando não favorece, com sua inteligência, a pessoa apresenta mil alrgumentos pra não ser.
Escutei a conversa de duas pessoas que se consideram de bem no onibus quando ia para o trabalho. Discutiam sobre o que fariam caso encontrassem uma carteira no chão. Uma dessas pessoas respondeu: 'Eu pegaria o dinheiro para mim, e devolveria a carteira. Se eu não fizer, outro faz a mesma coisa. Tem gente que nem devolveria a carteira. O dono da carteira já ficaria MUITO feliz em receber a carteira'. Honestidade relativa, pois já que a maioria faz, estou autorizado e justificado a fazer também. Retorno ao meu pai que dizia: 'Se todos se atirarem no abismo, você vai também?'.
Tenho percebido que as pessoas relativizam TUDO (amor, caridade, misericórdia, paciência), sempre que for favorável a sua vontade. Se favorece a minha vontade é válido.
Hoje casas-se e divorcia-se com muita facilidade. Testemunhei divórcios por pequenas discussões, e notei que os conjuguês não fizeram nem um mínimo de esforço para continuarem juntos. Casaram-se por uma felicidade individual, não a felicidade de ambos. Um não estava interessado na felicidade do outro, somente na própria. Eu diria que nem na própria felicidade, mas no próprio prazer. E quando não se divorciam, alguns começam com os casos extraconjugais. Ou seja, se casa ou se é fiel quando tenho prazer, quando tem-se que fazer sacrifícios a fidelidade e o casamento não é mais válido. Dizem que amam, mas o amor requer sacrifícios, e não estão dispostos aos sacrifícios.
Fiz por um breve tempo trabalho voluntário em um orfanato. Os casais sempre escolhiam as crianças menores e mais bonitas para adotarem. Confesso que desde aquela época me pergunto: Os casais adotam para fazer o melhor para a criança ou simplesmente para safistazer a carência afetiva por não serem pais ou mães? Por não poderem dizer que têm filhos?
Temos inúmeros casos de ex-namorados que sequestram, escampam e até matam suas ex-namoradas (e vice-versa), por não se conformarem com o término do namoro. Alguns deles ficaram famosos (Lembram da menina Eloá? Escreverei algo que refleti na época) . Até tempos atrás diziam que amavam. Um conceito totalmente desfigurado de amor, um conceito relativizado para satisfazer o egoismo.
As pessoas relativizam tudo por egoísmo. Dizem que amam, mas não amam. Dizem que são honestos, mas sedem a pequenas tentações por serem "pecadinhos de nada", ou sedem as grandes porque o favorecimento é muito grande. Tudo relativizado. Tomo as palavras de Jesus Cristo: "Quem é fiel nas pequenas, é fiel nas grandes. E quem é infiel nas pequenas, é infiel nas grandes". Tenho certeza de que Ele falava que ser uma pessoa boa, e justa requer muito sacrifício; que ser marido ou esposa requer um esforço descomunal.
Argumentam que essas posturas mais rigidas, por assim dizer, são "atrasadas e antiquadas". Pessoalmente, acredito que são mais atuais que nunca, e mais necessárias que nunca. Não relativizar é nos preparar e disciplinar para os sacrifícios da vida, e consequentemente para sermos felizes, mesmo nos momentos desconfortáveis da vida
Em um discurso no início do ano, o Papa Bento XVI falava exatamente dos perigos do relativismo. De como relativizar a vida, é uma forma de negarmos os sacrifícios que temos de fazer para alcançar a fellicidade, uma vida saudável. E a felicidade que me refiro não é a felicidade escatológica, o céu como alguns preferem dizer, mas estarmos preparados para viver e passar pelos momentos de sofrimento. Não cair no precipício do desânimo, depressão ou mesmo buscar refúgio na bebida, nas drogas ou sexo fácil.
Para ser feliz, acredito que precisamos nos despir do egoismo, de olhar unicamente para nós mesmos. Consequentemente, precisamos deixar de relativizar tudo.
Deixo um relato: "Um determinado pai com o filho pequeno pegou um onibus, dirigiu-se ao cobrador e lhe entregou o dinheiro de duas passagens. O cobrador olhou para a criança e disse 'Essa criança não precisa pagar, ela não é maior de sete anos ainda'. O pai respondeu 'Tem sim, pode cobrar'. O cobrador então falou 'Vou sobrar só uma, ninguém vai saber', por fim o pai respondeu 'O meu filho sabe que ele tem mais de sete anos. É o suficiente para fazer o que é certo.'"
Abraço!!
Escutei a conversa de duas pessoas que se consideram de bem no onibus quando ia para o trabalho. Discutiam sobre o que fariam caso encontrassem uma carteira no chão. Uma dessas pessoas respondeu: 'Eu pegaria o dinheiro para mim, e devolveria a carteira. Se eu não fizer, outro faz a mesma coisa. Tem gente que nem devolveria a carteira. O dono da carteira já ficaria MUITO feliz em receber a carteira'. Honestidade relativa, pois já que a maioria faz, estou autorizado e justificado a fazer também. Retorno ao meu pai que dizia: 'Se todos se atirarem no abismo, você vai também?'.
Tenho percebido que as pessoas relativizam TUDO (amor, caridade, misericórdia, paciência), sempre que for favorável a sua vontade. Se favorece a minha vontade é válido.
Hoje casas-se e divorcia-se com muita facilidade. Testemunhei divórcios por pequenas discussões, e notei que os conjuguês não fizeram nem um mínimo de esforço para continuarem juntos. Casaram-se por uma felicidade individual, não a felicidade de ambos. Um não estava interessado na felicidade do outro, somente na própria. Eu diria que nem na própria felicidade, mas no próprio prazer. E quando não se divorciam, alguns começam com os casos extraconjugais. Ou seja, se casa ou se é fiel quando tenho prazer, quando tem-se que fazer sacrifícios a fidelidade e o casamento não é mais válido. Dizem que amam, mas o amor requer sacrifícios, e não estão dispostos aos sacrifícios.
Fiz por um breve tempo trabalho voluntário em um orfanato. Os casais sempre escolhiam as crianças menores e mais bonitas para adotarem. Confesso que desde aquela época me pergunto: Os casais adotam para fazer o melhor para a criança ou simplesmente para safistazer a carência afetiva por não serem pais ou mães? Por não poderem dizer que têm filhos?
Temos inúmeros casos de ex-namorados que sequestram, escampam e até matam suas ex-namoradas (e vice-versa), por não se conformarem com o término do namoro. Alguns deles ficaram famosos (Lembram da menina Eloá? Escreverei algo que refleti na época) . Até tempos atrás diziam que amavam. Um conceito totalmente desfigurado de amor, um conceito relativizado para satisfazer o egoismo.
As pessoas relativizam tudo por egoísmo. Dizem que amam, mas não amam. Dizem que são honestos, mas sedem a pequenas tentações por serem "pecadinhos de nada", ou sedem as grandes porque o favorecimento é muito grande. Tudo relativizado. Tomo as palavras de Jesus Cristo: "Quem é fiel nas pequenas, é fiel nas grandes. E quem é infiel nas pequenas, é infiel nas grandes". Tenho certeza de que Ele falava que ser uma pessoa boa, e justa requer muito sacrifício; que ser marido ou esposa requer um esforço descomunal.
Argumentam que essas posturas mais rigidas, por assim dizer, são "atrasadas e antiquadas". Pessoalmente, acredito que são mais atuais que nunca, e mais necessárias que nunca. Não relativizar é nos preparar e disciplinar para os sacrifícios da vida, e consequentemente para sermos felizes, mesmo nos momentos desconfortáveis da vida
Em um discurso no início do ano, o Papa Bento XVI falava exatamente dos perigos do relativismo. De como relativizar a vida, é uma forma de negarmos os sacrifícios que temos de fazer para alcançar a fellicidade, uma vida saudável. E a felicidade que me refiro não é a felicidade escatológica, o céu como alguns preferem dizer, mas estarmos preparados para viver e passar pelos momentos de sofrimento. Não cair no precipício do desânimo, depressão ou mesmo buscar refúgio na bebida, nas drogas ou sexo fácil.
Para ser feliz, acredito que precisamos nos despir do egoismo, de olhar unicamente para nós mesmos. Consequentemente, precisamos deixar de relativizar tudo.
Deixo um relato: "Um determinado pai com o filho pequeno pegou um onibus, dirigiu-se ao cobrador e lhe entregou o dinheiro de duas passagens. O cobrador olhou para a criança e disse 'Essa criança não precisa pagar, ela não é maior de sete anos ainda'. O pai respondeu 'Tem sim, pode cobrar'. O cobrador então falou 'Vou sobrar só uma, ninguém vai saber', por fim o pai respondeu 'O meu filho sabe que ele tem mais de sete anos. É o suficiente para fazer o que é certo.'"
Abraço!!
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Vamos cuidar das nossas crianças?
Hoje, ao ligar a televisão ao final de uma semana de trabalho bastante cansativo, assisto a uma reportagem sobre prostituição infantil na zona oesta da capital paulista. Meninas de até 9 anos sendo alugadas para o prazer de alguns e lucro fácil de outros. O jornalista mostrava sua revolta e cobrava punição aos aliciadores e os "contratantes", sendo que o termo mais apropriado é abusadores de crianças.
Logo imaginei as pessoas conversando sobre a necessidade de maior policiamento, leis mais rígidas para os aliciados e abusadores, até a pena de morte. Isso me preocupa a partir do momento em que a punição aos agressores monopolizam o debate. Esquecem da vítima, como é bem refletido por Augusto Alexandre no texto http://augustodriver.blogspot.com/2011/06/falando-sobre-vitima-de-pedofilia.html (Leiam, vale a pena).
Eu imaginei que a cada "programa", as feridas já abertas nessas crianças se abrem cada vez mais. Em um momento vizualizei uma ferida enorme com a carne já em putrefação, com vermes e moscas nela. Essa ferida com certeza é a da alma dessas crianças. Se elas sobreviverem, como chegarão a idade adulta? Provavelmente, cheias de doenças no corpo e na alma. Ou ainda, apenas o corpo físico vivo, pois a mente já teria sido assassinada por anos de abusos. A mesma situação vivem as vítimas de pedofilia. Tantas feridas no corpo e na alma, gritando por socorro.
Pensei: o que fazer para mudar esse cenário? Então, comecei a refletir sobre os vários casos de violência que temos presenciado: violência e abuso de menores, inclusive pelos pais; violência contra mulher, incluindo o mais bárbaro, estupro e mutilação; violência gratuita; assassinatos por causa de uma frase mal entendida; violência homofóbica e racista, e tantos outros. E em todos os casos, sempre vejo a sociedade discute leis para punir os agressores como forma de solucionar o problema. Sinto que essa abordagem se concentra nas consequencias dos problemas e não nas causas. Fazendo uma comparação é como se, ao invés de preparar a área para plantação para evitar pragas de insetos e ervas daninhas, plantamos, e depois vamos arrancar os insetos e ervas daninhas uma a uma.
Então, vem a pergunta: quais as causas do problema? Isso demanda muito estudo, mas acredito que podemos ter um direcionamento. Em minhas reflexões tenho pensado muito sobre os valores morais e éticos com os quais cresci. Lembrei-me do meu pai e da minha mãe me educando, aconselhando, esbravejando. Lembrei-me que muitos dos atos que muitos cometem por acharem um "pecadinho de nada" por assim dizer, não cometo porque meu pai e minha mãe me ensinaram que era errado, era desonesto. Lembrei-me das conversas mais sérias, incluindo o respeito no tratamento das mulheres, família, cuidado com amizades.
Enfim, lembrei dos valores que não aprendi na escola, mas na minha família, no núcleo social mais básico e íntimo de uma pessoa.
Pensei no que a sociedade está vendendo como valores, que acabam por desestruturar a família. Pais que trabalham demais e vêem de menos seus filhos. Pais que sabem tudo sobre o time de futebol e nada das amizades dos seus filhos. Mães que sabem tudo sobre novelas e nada sobre suas filhas. Pais e mães que aceitam que suas filhas se vistam de forma minimalista e sensual em busca de sucesso e dinheiro. Pais que motivam os filhos a verem as mulheres como simples objetos de prazer. Pais que dizem que o importante é alcançar o sucesso, desde que só não matem, então trair, roubar, mutilar, se vender ou se alugar pode. Até falam sobre honestidade, mas entram com o carro na contramão quando lhe convém. Vêem que o caixa do supermercado errou e devolveu um troco a mais, mas nada diz, pois acaba de levar vantagem. Levou vantagem financeira e perdeu a oportunidade de testemunhar honestidade ao filho.
Na conversar com o Augusto, chegamos ao ponto crucial: Perdemos uma série de VALORES FAMILIARES. Valores que não se aprendem na escola ou na universidade. Então, chego a conclusão ( muitos podem discordar de mim) de que cuidar das crianças que menciono nos parágrafos iniciais é cuidar da família. Cuidar das famílias, dessas crianças hoje, é não vê-las mortas ou ter de prendê-las amanhã. Prendê-las porque cresceram com a violência, e por isso matar alguém por qualquer motivo é normal.
É claro que passa pela educação escolar, mas o foco tão esquecido é a FAMÍLIA. É claro também que temos que pudir nos agressores, mas não pode ser o foco principal. Caso contrário, a vítima de hoje pode ser o agressor de amanhã. É claro que temos que cuidar das crianças "covardemente abusadas", mas cuidar como? No nucleo social mais básico, a FAMILIA, mesmo que adotiva.
Sinceramente, temos que cuidar das FAMÍLIAS, e sejamos mais eficientes não adotando soluções preguiçosas, mas que apesar de mais trabalhosas, podem evitar que mais crianças sofram abusos. Ou então continuaremos a fazer perguntas do tipo: "Como Deus deixou essa tragédia acontecer com essas crianças?". E toda vez que ouço algo do gênero me imagino diante Dele e e Ele respondendo a mim e a tantos outros: Eu deixei essas crianças sob a responsabilidades de vocês. Por que não cuidaram delas? Eram os meus pequeninos.
Vamos cuidar das crianças de Deus? Vamos cuidar das nossas crianças?
Abraço
Logo imaginei as pessoas conversando sobre a necessidade de maior policiamento, leis mais rígidas para os aliciados e abusadores, até a pena de morte. Isso me preocupa a partir do momento em que a punição aos agressores monopolizam o debate. Esquecem da vítima, como é bem refletido por Augusto Alexandre no texto http://augustodriver.blogspot.com/2011/06/falando-sobre-vitima-de-pedofilia.html (Leiam, vale a pena).
Eu imaginei que a cada "programa", as feridas já abertas nessas crianças se abrem cada vez mais. Em um momento vizualizei uma ferida enorme com a carne já em putrefação, com vermes e moscas nela. Essa ferida com certeza é a da alma dessas crianças. Se elas sobreviverem, como chegarão a idade adulta? Provavelmente, cheias de doenças no corpo e na alma. Ou ainda, apenas o corpo físico vivo, pois a mente já teria sido assassinada por anos de abusos. A mesma situação vivem as vítimas de pedofilia. Tantas feridas no corpo e na alma, gritando por socorro.
Pensei: o que fazer para mudar esse cenário? Então, comecei a refletir sobre os vários casos de violência que temos presenciado: violência e abuso de menores, inclusive pelos pais; violência contra mulher, incluindo o mais bárbaro, estupro e mutilação; violência gratuita; assassinatos por causa de uma frase mal entendida; violência homofóbica e racista, e tantos outros. E em todos os casos, sempre vejo a sociedade discute leis para punir os agressores como forma de solucionar o problema. Sinto que essa abordagem se concentra nas consequencias dos problemas e não nas causas. Fazendo uma comparação é como se, ao invés de preparar a área para plantação para evitar pragas de insetos e ervas daninhas, plantamos, e depois vamos arrancar os insetos e ervas daninhas uma a uma.
Então, vem a pergunta: quais as causas do problema? Isso demanda muito estudo, mas acredito que podemos ter um direcionamento. Em minhas reflexões tenho pensado muito sobre os valores morais e éticos com os quais cresci. Lembrei-me do meu pai e da minha mãe me educando, aconselhando, esbravejando. Lembrei-me que muitos dos atos que muitos cometem por acharem um "pecadinho de nada" por assim dizer, não cometo porque meu pai e minha mãe me ensinaram que era errado, era desonesto. Lembrei-me das conversas mais sérias, incluindo o respeito no tratamento das mulheres, família, cuidado com amizades.
Enfim, lembrei dos valores que não aprendi na escola, mas na minha família, no núcleo social mais básico e íntimo de uma pessoa.
Pensei no que a sociedade está vendendo como valores, que acabam por desestruturar a família. Pais que trabalham demais e vêem de menos seus filhos. Pais que sabem tudo sobre o time de futebol e nada das amizades dos seus filhos. Mães que sabem tudo sobre novelas e nada sobre suas filhas. Pais e mães que aceitam que suas filhas se vistam de forma minimalista e sensual em busca de sucesso e dinheiro. Pais que motivam os filhos a verem as mulheres como simples objetos de prazer. Pais que dizem que o importante é alcançar o sucesso, desde que só não matem, então trair, roubar, mutilar, se vender ou se alugar pode. Até falam sobre honestidade, mas entram com o carro na contramão quando lhe convém. Vêem que o caixa do supermercado errou e devolveu um troco a mais, mas nada diz, pois acaba de levar vantagem. Levou vantagem financeira e perdeu a oportunidade de testemunhar honestidade ao filho.
Na conversar com o Augusto, chegamos ao ponto crucial: Perdemos uma série de VALORES FAMILIARES. Valores que não se aprendem na escola ou na universidade. Então, chego a conclusão ( muitos podem discordar de mim) de que cuidar das crianças que menciono nos parágrafos iniciais é cuidar da família. Cuidar das famílias, dessas crianças hoje, é não vê-las mortas ou ter de prendê-las amanhã. Prendê-las porque cresceram com a violência, e por isso matar alguém por qualquer motivo é normal.
É claro que passa pela educação escolar, mas o foco tão esquecido é a FAMÍLIA. É claro também que temos que pudir nos agressores, mas não pode ser o foco principal. Caso contrário, a vítima de hoje pode ser o agressor de amanhã. É claro que temos que cuidar das crianças "covardemente abusadas", mas cuidar como? No nucleo social mais básico, a FAMILIA, mesmo que adotiva.
Sinceramente, temos que cuidar das FAMÍLIAS, e sejamos mais eficientes não adotando soluções preguiçosas, mas que apesar de mais trabalhosas, podem evitar que mais crianças sofram abusos. Ou então continuaremos a fazer perguntas do tipo: "Como Deus deixou essa tragédia acontecer com essas crianças?". E toda vez que ouço algo do gênero me imagino diante Dele e e Ele respondendo a mim e a tantos outros: Eu deixei essas crianças sob a responsabilidades de vocês. Por que não cuidaram delas? Eram os meus pequeninos.
Vamos cuidar das crianças de Deus? Vamos cuidar das nossas crianças?
Abraço
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