"As reticências são os três primeiros passos do pensamento que continua por conta própria o seu caminho"- Mário Quintana

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Vamos cuidar das nossas crianças?

Hoje, ao ligar a televisão ao final de uma semana de trabalho bastante cansativo, assisto a uma reportagem sobre prostituição infantil na zona oesta da capital paulista. Meninas de até 9 anos sendo alugadas para o prazer de alguns e lucro fácil de outros. O jornalista mostrava sua revolta e cobrava punição aos aliciadores e os "contratantes", sendo que o termo mais apropriado é abusadores de crianças.
Logo imaginei as pessoas conversando sobre a necessidade de maior policiamento, leis mais rígidas para os aliciados e abusadores, até a pena de morte. Isso me preocupa a partir do momento em que a punição aos agressores monopolizam o debate. Esquecem da vítima, como é bem refletido por Augusto Alexandre no texto http://augustodriver.blogspot.com/2011/06/falando-sobre-vitima-de-pedofilia.html (Leiam, vale a pena).
Eu imaginei que a cada "programa", as feridas já abertas nessas crianças se abrem cada vez mais. Em um momento vizualizei uma ferida enorme com a carne já em putrefação, com vermes e moscas nela. Essa ferida com certeza é a da alma dessas crianças. Se elas sobreviverem, como chegarão a idade adulta? Provavelmente, cheias de doenças no corpo e na alma. Ou ainda, apenas o corpo físico vivo, pois a mente já teria sido assassinada por anos de abusos. A mesma situação vivem as vítimas de pedofilia. Tantas feridas no corpo e na alma, gritando por socorro.
Pensei: o que fazer para mudar esse cenário? Então, comecei a refletir sobre os vários casos de violência que temos presenciado: violência e abuso de menores, inclusive pelos pais; violência contra mulher, incluindo o mais bárbaro, estupro e mutilação; violência gratuita; assassinatos por causa de uma frase mal entendida; violência homofóbica e racista, e tantos outros. E em todos os casos, sempre vejo a sociedade discute leis para punir os agressores como forma de solucionar o problema. Sinto que essa abordagem se concentra nas consequencias dos problemas e não nas causas. Fazendo uma comparação é como se, ao invés de preparar a área para plantação para evitar pragas de insetos e ervas daninhas, plantamos, e depois vamos arrancar os insetos e ervas daninhas uma a uma.
Então, vem a pergunta: quais as causas do problema? Isso demanda muito estudo, mas acredito que podemos ter um direcionamento. Em minhas reflexões tenho pensado muito sobre os valores morais e éticos com os quais cresci. Lembrei-me do meu pai e da minha mãe me educando, aconselhando, esbravejando. Lembrei-me que muitos dos atos que muitos cometem por acharem um "pecadinho de nada" por assim dizer, não cometo porque meu pai e minha mãe me ensinaram que era errado, era desonesto. Lembrei-me das conversas mais sérias, incluindo o respeito no tratamento das mulheres, família, cuidado com amizades.
Enfim, lembrei dos valores que não aprendi na escola, mas na minha família, no núcleo social mais básico e íntimo de uma pessoa.
Pensei no que a sociedade está vendendo como valores, que acabam por desestruturar a família. Pais que trabalham demais e vêem de menos seus filhos. Pais que sabem tudo sobre o time de futebol e nada das amizades dos seus filhos. Mães que sabem tudo sobre novelas e nada sobre suas filhas. Pais e mães que aceitam que suas filhas se vistam de forma minimalista e sensual em busca de sucesso e dinheiro. Pais que motivam os filhos a verem as mulheres como simples objetos de prazer. Pais que dizem que o importante é alcançar o sucesso, desde que só não matem, então trair, roubar, mutilar, se vender ou se alugar pode. Até falam sobre honestidade, mas entram com o carro na contramão quando lhe convém. Vêem que o caixa do supermercado errou e devolveu um troco a mais, mas nada diz, pois acaba de levar vantagem. Levou vantagem financeira e perdeu a oportunidade de testemunhar honestidade ao filho.
Na conversar com o Augusto, chegamos ao ponto crucial: Perdemos uma série de VALORES FAMILIARES. Valores que não se aprendem na escola ou na universidade. Então, chego a conclusão ( muitos podem discordar de mim) de que cuidar das crianças que menciono nos parágrafos iniciais é cuidar da família. Cuidar das famílias, dessas crianças hoje, é não vê-las mortas ou ter de prendê-las amanhã. Prendê-las porque cresceram com a violência, e por isso matar alguém por qualquer motivo é normal.
É claro que passa pela educação escolar, mas o foco tão esquecido é a FAMÍLIA. É claro também que temos que pudir nos agressores, mas não pode ser o foco principal. Caso contrário, a vítima de hoje pode ser o agressor de amanhã. É claro que temos que cuidar das crianças "covardemente abusadas", mas cuidar como? No nucleo social mais básico, a FAMILIA, mesmo que adotiva.
Sinceramente, temos que cuidar das FAMÍLIAS, e sejamos mais eficientes não adotando soluções preguiçosas, mas que apesar de mais trabalhosas, podem evitar que mais crianças sofram abusos. Ou então continuaremos a fazer perguntas do tipo: "Como Deus deixou essa tragédia acontecer com essas crianças?". E toda vez que ouço algo do gênero me imagino diante Dele e e Ele respondendo a mim e a tantos outros: Eu deixei essas crianças sob a responsabilidades de vocês. Por que não cuidaram delas? Eram os meus pequeninos.
Vamos cuidar das crianças de Deus? Vamos cuidar das nossas crianças?

Abraço

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