"As reticências são os três primeiros passos do pensamento que continua por conta própria o seu caminho"- Mário Quintana

sábado, 2 de julho de 2011

Relativismo = egoismo?

Ainda na conversa com o Augusto, chegamos a discutir sobre como os valores são relativizados, ou seja, os valores são moldados sempre que favorece a vontade do indivíduo. Citei o caso do troco retornado a mais, quando o pai, acompanhado de seu filho, percebe que o caixa do mercado lhe entregou dinheiro a mais e nada diz, pois acaba de ganhar dinheiro fácil. Muitas vezes pensa que o mercado já lucra bastante com vendas, e que não fará falta, e pensar não estar fazendo mal algum. Não considera que ao final do expediente, o caixa será cobrado pelo gerente, o dinheiro que falta, isto se o caixa não for demitido. Oras, mesmo que não fizesse mal mesmo, é desonesto e ao devolver o dinheiro a mais poderia testemunhar um caso de honestidade ao filho. Possivelmente, esse pai fala muito de honestidade, critica muito os corruptos, mas deu um testemunho de corrupção ao filho. Um conceito relativizado de honestidade, pois ela só é válida quando favorece a vontade da pessoa. Quando não favorece, com sua inteligência, a pessoa apresenta mil alrgumentos pra não ser.
 Escutei a conversa de duas pessoas que se consideram de bem no onibus quando ia para o trabalho. Discutiam sobre o que fariam caso encontrassem uma carteira no chão. Uma dessas pessoas respondeu: 'Eu pegaria o dinheiro para mim, e devolveria a carteira. Se eu não fizer, outro faz a mesma coisa. Tem gente que nem devolveria a carteira. O dono da carteira já ficaria MUITO feliz em receber a carteira'. Honestidade relativa, pois já que a maioria faz, estou autorizado e justificado a fazer também. Retorno ao meu pai que dizia:  'Se todos se atirarem no abismo, você vai também?'.
Tenho percebido que as pessoas relativizam TUDO (amor, caridade, misericórdia, paciência), sempre que for favorável a sua vontade. Se favorece a minha vontade é válido.
Hoje casas-se e divorcia-se com muita facilidade. Testemunhei divórcios por pequenas discussões, e notei que os conjuguês não fizeram nem um mínimo de esforço para continuarem juntos. Casaram-se por uma felicidade individual, não a felicidade de ambos. Um não estava interessado na felicidade do outro, somente na própria. Eu diria que nem na própria felicidade, mas no próprio prazer. E quando não se divorciam, alguns começam com os casos extraconjugais. Ou seja, se casa ou se é fiel quando tenho prazer, quando tem-se que fazer sacrifícios a fidelidade e o casamento não é mais válido. Dizem que amam, mas o amor requer sacrifícios, e não estão dispostos aos sacrifícios.
Fiz por um breve tempo trabalho voluntário em um orfanato. Os casais sempre escolhiam as crianças menores e mais bonitas para adotarem. Confesso que desde aquela época me pergunto: Os casais adotam para fazer o melhor para a criança ou simplesmente para safistazer a carência afetiva por não serem pais ou mães? Por não poderem dizer que têm filhos?
Temos inúmeros casos de ex-namorados que sequestram, escampam e até matam suas ex-namoradas (e vice-versa), por não se conformarem com o término do namoro. Alguns deles ficaram famosos (Lembram da menina Eloá? Escreverei algo que refleti na época) . Até tempos atrás diziam que amavam. Um conceito totalmente desfigurado de amor, um conceito relativizado para satisfazer o egoismo.
As pessoas relativizam tudo por egoísmo. Dizem que amam, mas não amam. Dizem que são honestos, mas sedem a pequenas tentações por serem "pecadinhos de nada", ou sedem as grandes porque o favorecimento é muito grande. Tudo relativizado. Tomo as palavras de Jesus Cristo: "Quem é fiel nas pequenas, é fiel nas grandes. E quem é infiel nas pequenas, é infiel nas grandes". Tenho certeza de que Ele falava que ser uma pessoa boa, e justa requer muito sacrifício; que ser marido ou esposa requer um esforço descomunal.
Argumentam que essas posturas mais rigidas, por assim dizer, são "atrasadas e antiquadas". Pessoalmente, acredito que são mais atuais que nunca, e mais necessárias que nunca. Não relativizar é nos preparar e disciplinar para os sacrifícios da vida, e consequentemente para sermos felizes, mesmo nos momentos desconfortáveis da vida
Em um discurso no início do ano, o Papa Bento XVI falava exatamente dos perigos do relativismo. De como relativizar a vida, é uma forma de negarmos os sacrifícios que temos de fazer para alcançar a fellicidade, uma vida saudável. E a felicidade que me refiro não é a felicidade escatológica, o céu como alguns preferem dizer, mas estarmos preparados para viver e passar pelos momentos de sofrimento. Não cair no precipício do desânimo, depressão ou mesmo buscar refúgio na bebida, nas drogas ou sexo fácil.
Para ser feliz, acredito que precisamos nos despir do egoismo, de olhar unicamente para nós mesmos. Consequentemente, precisamos deixar de relativizar tudo.
 Deixo um relato: "Um determinado pai com o filho pequeno pegou um onibus, dirigiu-se ao cobrador e lhe entregou o dinheiro de duas passagens. O cobrador olhou para a criança e disse 'Essa criança não precisa pagar, ela não é maior de sete anos ainda'. O pai respondeu 'Tem sim, pode cobrar'. O cobrador então falou 'Vou sobrar só uma, ninguém vai saber', por fim o pai respondeu 'O meu filho sabe que ele tem mais de sete anos. É o suficiente para fazer o que é certo.'"

Abraço!!

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