"As reticências são os três primeiros passos do pensamento que continua por conta própria o seu caminho"- Mário Quintana

domingo, 19 de janeiro de 2014

Album de Família

Realmente, um bom filme sobre conflitos familiares. Seus pilares, como haviam me falado, são os personagens da Meryl Streep e Julia Roberts. Enquanto a personagem de Meryl é responsável por algumas das cenas engraçadas e é quem aperta o gatilho para a maioria das cenas de conflitos, Julia Roberts parece ser o para-raios onde os conflitos caem primeiro. Todo o elenco foi muito bem escalado. 
Contudo, destaco duas atuações em especial: Benedict Cumberbatch como o little Charlie e Abigail Breslin como a filha adolescente de Julia Roberts e Ewan McGregor.
Para quem só tem como referência A pequena Miss Sunshine, é uma grata surpresa ver a evolução da jovem atriz, o que não surpresa para quem viu o filme Zombieland. Numa personagem que quase não fala, e é consequência "in persona" de alguns dos conflitos e descasos mencionados no filme. Ela foge do tipo de adolescente que grita, esperneia ou é brilhante. Simplesmente é "introvertida" naquele mundo de estranhos que é sua família.
Já a atuação de Benedict Cumberbatch me surpreendeu, e muito, devido a lembrança da sua interpretação impecável do brilhante e impiedoso Khan em Star Trek - Into the Darkness. O mesmo olhar que instigou medo na tripulação da USS Enterprise, dá vida a um sujeito introvertido e inseguro. Logo na primeira cena fica claro que o "little" refere-se exatamente a sua fraca personalidade quando ele abraça o personagem de Chris Cooper. A voz ameaçadora e segura de Khan e do dragão Smaulg (do fraco O Hobbit 2) agora quase não é audível em algumas cenas. Uma excelente interpretação. Um dos filmes da minha lista de 2014 é The Imitation Game, protagonizado por ele sobre a vida de Alan Turing.

Não é um filme para se ver em qualquer momento, mas sem dúvida a atuação do elenco vale o ingresso.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Curvas da Vida - Clint Eastwood

Em mais uma noite de insônia assisto Curvas da Vida, com Clint Eastwood. Muito bom filme. 
Mesmo não o dirigindo, é um filme bem ao estilo drama "Clint Eastwood", ou seja, trabalha a relação entre os protagonistas, no caso pai e filha. O perfil do personagem interpretado por ele na última década não muda, um senhor um tanto mal humorado e conservador
O interessante é que a frase de Sérgio Leoni (Trilogia dos dólares) a respeito dele se aplica a esses filmes "Clint Eastwood tem duas expressões: Com chapéu e sem chapéu". No entanto, a montagem do filme e a composição do personagem usa bem a expressividade "sem chapéu". Embora não seja um personagem que inspire muita simpatia, não há como não se comover em alguns momentos como o diálogo com a falecida esposa ao pé do túmulo da mesma. A sua feição carrancuda inclusive ajuda no momento em que ele demonstra desconforto em admitir que não é da ascendência que vem a capacidade da filha em advogar.
Quanto a Amy Adams, não compromete e não é um primor de interpretação como a filha que busca um lugar ao sol. Sua relutância inicial em ir ao encontro do pai e postura firme, simplesmente revela sua carência pela falta da companhia dele na sua infância.
O personagem de Justin Timberlake está lá só para o público teen feminino, e não acrescenta em nada o enredo, mas pelo menos também não compromete o filme. O restante do elenco oferece o suporte necessário para os dois protagonistas. 
Enfim, mesmo não sendo o diretor, é de forma geral um filme de Clint Eastwood.
Difícil não gostar.